A curva de juros futuros fechou em queda nessa terça-feira (29), apesar dos dados fortes do mercado de trabalho brasileiro. O movimento acompanhou a perda de força dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, os Treasuries, após declarações do presidente do Federal Reserve de Nova York, John Williams.
O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 caiu de 13,559% para 13,550%. Já o DI para janeiro de 2029 recuou de 13,902% para 13,755%, enquanto o contrato para janeiro de 2031 passou de 14,048% para 13,940%.
Nos Estados Unidos, a taxa da Treasury de dois anos caiu de 4,924% para 4,880%. O rendimento do título de dez anos ficou estável em 5,244%, enquanto o título de 30 anos avançou de 5,552% para 5,568%.
Juros futuros acompanham mercado americano
A pressão sobre os Treasuries aumentou durante a manhã, levando os rendimentos dos títulos de prazo mais longo a máximas não registradas há mais de duas décadas. O movimento perdeu força após Williams afirmar que uma nova alta dos juros americanos poderá ser adequada mais adiante neste ano, caso a economia evolua conforme o cenário esperado.
Ao mesmo tempo, o dirigente afirmou que não há urgência para um novo aperto monetário. A perspectiva ajudou a reduzir a pressão sobre os títulos de prazo mais longo e levou os vencimentos curtos a registrar queda.
Os juros futuros negociados no Brasil refletem, entre outros fatores, as expectativas para a taxa básica de juros, a inflação e o ambiente externo. Por isso, mudanças nos títulos americanos podem influenciar os preços dos contratos brasileiros.
Um gestor de renda fixa de uma grande gestora de recursos avaliou que a mudança no comportamento dos títulos americanos ajudou a acalmar o mercado brasileiro. Segundo ele, o movimento externo foi mais relevante para os DIs nesta sessão do que uma eventual redução da aversão ao risco às vésperas do primeiro turno da eleição presidencial.
Mercado de trabalho limita espaço para queda da Selic
Os dados divulgados nessa terça-feira mostraram um mercado de trabalho ainda resistente no Brasil. A taxa de desemprego ficou em 5,3% nos três meses encerrados em agosto, de acordo com a Pnad Contínua, em linha com as projeções.
O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), por sua vez, registrou a criação de 165,8 mil vagas formais no último mês. O resultado ficou acima da estimativa de 93,5 mil postos.
Para o economista-chefe da Suno Research, Gustavo Sung, os números indicam equilíbrio no mercado de trabalho, mas em um nível ainda forte. Um mercado de trabalho aquecido pode manter a pressão sobre os preços e dificultar uma redução mais rápida dos juros.
Apesar dos dados, os contratos de DI não reagiram de forma significativa às informações. O texto-base atribui parte desse comportamento a relatos de um novo vazamento antecipado de informações.
Sung avaliou que a combinação entre atividade econômica resistente, riscos de alta para a inflação, expectativas inflacionárias acima da meta e possível aumento da volatilidade do câmbio pode limitar o espaço para novos cortes da Selic em 2026.
Petróleo recua com retomada de exportações
O mercado de petróleo também influenciou o ambiente externo. O contrato do Brent para dezembro, referência internacional utilizada pela Petrobras, caiu 1,71% nessa terça-feira, para US$ 96,16 por barril.
A queda ocorreu diante de sinais de retomada das exportações pelo oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita e de recuperação dos embarques no Golfo.
Ainda segundo as informações do texto-base, não havia perspectiva de acordo entre Estados Unidos e Irã para encerrar o confronto.
Treasuries tiveram forte abertura no mês
O estrategista-chefe da Avenue, William Castro Alves, afirmou que dados mais fracos da economia americana poderiam contribuir para uma redução da pressão sobre os Treasuries ao longo de setembro.
Segundo Alves, a abertura da curva de juros dos Estados Unidos esteve entre os principais movimentos do mês. A expressão indica aumento dos rendimentos dos títulos, o que representa queda em seus preços.
O movimento refletiu, na avaliação do estrategista, preocupações com a inflação relacionadas ao conflito no Oriente Médio e uma atividade econômica americana acima das expectativas.
No mercado brasileiro, portanto, a sessão foi marcada por uma combinação de fatores domésticos e externos. Mesmo com indicadores de emprego que podem reduzir o espaço para cortes da Selic, os juros futuros acompanharam principalmente o alívio observado nos títulos americanos.





























