A Bunge concluiu sua saída do setor sucroenergético brasileiro nesta terça-feira (1º). A empresa fechou acordo para vender suas duas últimas usinas de cana-de-açúcar no país para a Cofco International. Os valores da operação não foram divulgados.
Os ativos negociados são as usinas Rio Vermelho, em Junqueirópolis (SP), e Nova Unialco, em Guararapes (SP). Juntas, as unidades têm capacidade para processar cerca de 7 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por safra.
A conclusão da operação, porém, ainda depende das aprovações regulatórias previstas nesse tipo de transação.
Bunge deixa o setor sucroenergético brasileiro
Com a venda, a Bunge encerra sua participação direta na produção industrial de açúcar e etanol no Brasil. As duas usinas passaram a fazer parte do portfólio da companhia em julho de 2025, após a conclusão da fusão global entre Bunge e Viterra.
Antes disso, a empresa já havia reduzido sua exposição ao segmento. Em 2024, a Bunge vendeu à BP sua participação de 50% na BP Bunge Bioenergia.
Com a operação, a BP passou a controlar integralmente os 11 ativos que pertenciam à empresa conjunta criada em 2019. O negócio havia reunido operações de cana-de-açúcar das duas companhias.
Agora, a estratégia da Bunge no Brasil fica concentrada em outras áreas do agronegócio. Entre elas estão a originação, que consiste na compra de produtos agrícolas de produtores e outros agentes, o armazenamento e a distribuição de grãos e oleaginosas, além do processamento de oleaginosas.
Segundo o diretor de operações da Bunge, Julio Garros, a venda está alinhada às prioridades estratégicas da companhia e ao posicionamento planejado para o longo prazo.
Cofco amplia presença em São Paulo
Para a Cofco International, a aquisição representa uma expansão de sua estrutura industrial no noroeste paulista.
Antes do acordo, a companhia operava quatro usinas no Estado de São Paulo. Eram elas as unidades de Catanduva, Meridiano, Potirendaba e Sebastianópolis do Sul.
Juntas, essas quatro usinas tinham capacidade estimada entre 15 milhões e 18 milhões de toneladas de cana por safra. Com a incorporação das unidades Rio Vermelho e Nova Unialco, a Cofco passa a operar seis usinas no país.
Dessa forma, a capacidade potencial de moagem da companhia supera 22 milhões de toneladas de cana por safra.
A moagem é a etapa industrial em que a cana é processada para a produção de derivados, principalmente açúcar e etanol. Por isso, o aumento da capacidade amplia a presença industrial da Cofco nas regiões produtoras do Centro-Sul.
Aquisição reforça estratégia da Cofco
A Cofco afirmou que a compra está de acordo com sua estratégia de longo prazo para ampliar e fortalecer a operação de açúcar.
Além disso, a companhia avalia que os novos ativos aumentam sua presença industrial em importantes regiões agrícolas. A operação também amplia a integração entre as atividades industriais e agrícolas da empresa.
Segundo Daniel Pagnani, diretor-geral da divisão de usinas de açúcar da Cofco International, a aquisição pode gerar oportunidades de eficiência operacional, diversificação e maior resiliência biológica.
Nesse contexto, a expansão ocorre em uma das principais regiões produtoras de cana-de-açúcar do país. Ao mesmo tempo, a operação reforça a participação da Cofco na cadeia industrial do açúcar e do etanol.
O que muda com a operação
Com a venda das duas últimas usinas, a Bunge deixa definitivamente a atividade sucroenergética industrial no Brasil. A companhia, portanto, passa a concentrar sua atuação em grãos, oleaginosas, armazenamento, distribuição e processamento.
A Cofco, por outro lado, amplia sua estrutura no setor sucroenergético. A empresa passa de quatro para seis usinas e supera a marca de 22 milhões de toneladas de capacidade potencial de moagem por safra.
Assim, a operação altera a distribuição dos ativos industriais entre duas grandes empresas do agronegócio e reforça a presença da Cofco no mercado brasileiro de açúcar e etanol.





























