A XP Inc. registrou lucro líquido ajustado de R$ 1,32 bilhão no primeiro trimestre de 2026, alta de 7% em relação ao mesmo período do ano passado. A companhia também anunciou nesta segunda-feira (18) mudanças na diretoria financeira, pagamento de dividendos e um novo programa de recompra de ações.
O resultado foi impulsionado pelo avanço das receitas no varejo, crescimento da base de ativos de clientes e maior diversificação das operações. Além disso, a empresa informou que o trimestre foi marcado por volatilidade nos mercados, mas manteve rentabilidade elevada e expansão operacional.
A receita líquida da companhia somou R$ 4,73 bilhões entre janeiro e março, crescimento anual de 8%. Já a receita bruta alcançou R$ 4,9 bilhões no período.
Ao mesmo tempo, o lucro antes dos impostos (EBT, na sigla em inglês) totalizou R$ 1,42 bilhão, avanço de 8% na comparação anual. O lucro por ação diluído ajustado cresceu 9%, beneficiado pela continuidade do programa de recompra de papéis da empresa.
XP amplia receitas no varejo
Os ativos totais de clientes — indicador que reúne recursos sob custódia, gestão e administração — atingiram R$ 2,14 trilhões no primeiro trimestre, alta de 21% em relação ao mesmo intervalo de 2025.
Ademais, a XP informou que a captação líquida no varejo, conhecida no mercado como “Net New Money”, somou R$ 38 bilhões no trimestre. Desse total, R$ 18,7 bilhões vieram de entradas recorrentes de recursos.
Os ativos de clientes no varejo chegaram a R$ 1,5 trilhão, crescimento anual de 15%. Segundo a companhia, o avanço foi resultado da combinação entre captação líquida e valorização dos mercados financeiros.
Por sua vez, o número de clientes ativos alcançou 4,8 milhões, alta de 2% em 12 meses e de 1% na comparação trimestral.
Diversificação fortalece desempenho operacional
No segmento de varejo, a receita foi de R$ 3,77 bilhões. Nesse cenário, a empresa destacou maior diversificação das receitas entre produtos como renda fixa, ações, fundos, previdência, crédito, cartões e seguros.
Além disso, a XP informou que o segmento de renda variável apresentou desempenho acima do esperado após um período mais moderado nos trimestres anteriores.
Enquanto isso, o Banco de Atacado da XP registrou receita de R$ 1,15 bilhão no trimestre, crescimento de 26% na comparação anual.
Segundo a companhia, o desempenho reforça o papel da divisão como uma das principais frentes de expansão do ecossistema financeiro do grupo.
Investimentos em tecnologia elevam despesas
As despesas operacionais cresceram 14% no período, refletindo investimentos em tecnologia, inteligência artificial, digitalização e ampliação da força comercial.
Ainda assim, a XP manteve indicadores considerados robustos pelo mercado. O retorno sobre patrimônio líquido (ROE), indicador usado para medir a rentabilidade sobre o capital dos acionistas, ficou em 21,7%.
Já o índice de Basileia — referência de solidez financeira dos bancos — encerrou março em 20,7%.
Em nota, o CEO da XP, Thiago Maffra, afirmou que a companhia pretende manter investimentos voltados à expansão e à eficiência operacional.
Ademais, o executivo destacou que a estratégia de longo prazo permanece centrada na experiência do cliente e no fortalecimento do ecossistema financeiro da empresa.
XP anuncia Gustavo Alejo como novo CFO
Além dos resultados financeiros, a XP anunciou a nomeação de Gustavo Alejo como novo diretor financeiro da companhia.
Ele substituirá Victor Mansur, que deixará o cargo após mais de dez anos na função. A transição ocorrerá até agosto de 2026.
Segundo a empresa, Alejo possui mais de 30 anos de experiência no setor financeiro e terá papel estratégico na próxima fase de crescimento da companhia.
Além disso, a XP afirmou que a mudança faz parte do planejamento de longo prazo e busca garantir continuidade na execução das estratégias do grupo.
Após a transição, Victor Mansur permanecerá como sócio da empresa e integrante do conselho de companhias investidas pela XP.
Companhia aprova dividendos e recompra de ações
O conselho de administração da XP também aprovou a distribuição de dividendos e um novo programa de recompra de ações.
A companhia pagará US$ 0,20 por ação Classe A aos acionistas registrados até 10 de junho. O pagamento está previsto para 18 de junho de 2026.
Pelo câmbio atual, o montante distribuído deve ficar próximo de R$ 500 milhões.
Ademais, a empresa autorizou um novo programa de recompra de até R$ 1 bilhão em ações.
Segundo a XP, as operações poderão ocorrer no mercado aberto ou por negociações privadas até 20 de maio de 2027, dependendo das condições de mercado e da disponibilidade de caixa.
Ainda de acordo com a companhia, o programa poderá ser alterado, suspenso ou encerrado a qualquer momento, conforme decisão do conselho de administração.
Segmentos de cartões e seguros seguem em expansão
No segmento de cartões, o volume total de pagamentos movimentados pelos clientes chegou a R$ 13,3 bilhões no trimestre, avanço de 10% na comparação anual.
Por outro lado, o indicador ficou 9% abaixo do trimestre anterior, reflexo da sazonalidade mais forte observada no fim de 2025.
A base de cartões ativos alcançou 1,5 milhão de unidades, sendo 1 milhão de cartões de crédito e 500 mil de débito.
Já a área de seguros registrou crescimento de 16% nos prêmios arrecadados, que totalizaram R$ 405 milhões entre janeiro e março.
Segundo a companhia, os prêmios representam o total de receitas emitidas ou vendidas no período, antes de deduções relacionadas a provisões, resseguros e outras despesas.
XP mantém foco em crescimento de longo prazo
Mesmo diante de um cenário de maior volatilidade nos mercados, a XP encerrou o trimestre com expansão de receitas, avanço operacional e crescimento da base de clientes.
Além disso, a companhia manteve investimentos considerados estratégicos em tecnologia, digitalização e inteligência artificial.
Ao mesmo tempo, a empresa reforçou iniciativas de remuneração aos acionistas, com distribuição de dividendos e autorização para recompra de ações.
Com isso, a XP busca sustentar o crescimento do ecossistema financeiro e ampliar sua participação no mercado brasileiro de investimentos.





























