Das 195 cidades brasileiras com orçamentos superiores a R$ 1 bilhão, 147 registraram aumento da população, segundo cruzamento de dados do Sistema de Informações Contábeis e Fiscais do Setor Público Brasileiro (Siconfi) com informações do Instituto BrasileirA de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento considera os números preliminares do Censo 2022 e uma estimativa mais recente da população.
Ao todo, esses municípios passaram de aproximadamente 99,5 milhões para 101,9 milhões de habitantes. Com isso, a população do grupo cresceu cerca de 2,4%.
Cidades bilionárias têm perfis populacionais diferentes
A distribuição das cidades bilionárias pelo país é concentrada em algumas regiões. São Paulo reúne 57 municípios desse grupo. Em seguida, aparecem Rio de Janeiro, com 21, Minas Gerais, com 18, Santa Catarina, com 12, e Paraná, com 11.
Juntos, esses cinco estados concentram cerca de 62% das cidades analisadas.
Apesar do crescimento da maioria, 49 municípios registraram redução no número de habitantes. Por outro lado, 24 cidades tiveram expansão superior a 10%.
Os maiores avanços proporcionais ocorreram principalmente em municípios do Norte e do interior do país. Enquanto isso, algumas capitais tradicionais perderam moradores.
Boa Vista, em Roraima, apresentou o maior crescimento proporcional entre os municípios analisados. A população passou de cerca de 408 mil para aproximadamente 501 mil habitantes, uma alta de 22,7%.
Na sequência, aparece Canaã dos Carajás, no Pará. O município passou de aproximadamente 75,4 mil para mais de 92 mil moradores, o que representa crescimento de 22,4%.
Outros municípios também registraram aumentos expressivos. Entre eles estão São João de Meriti (RJ), Senador Canedo (GO), Belford Roxo (RJ), Porto Seguro (BA), Sinop (MT), Chapecó (SC), Parauapebas (PA) e Juazeiro do Norte (CE). Em todos esses casos, o crescimento superou 14%.
Manaus lidera crescimento em número de moradores
Em números absolutos, Manaus apresentou o maior aumento populacional entre as cidades analisadas. Ao todo, a capital amazonense ganhou aproximadamente 272 mil habitantes.
O resultado chama atenção porque o crescimento absoluto não acompanha necessariamente o ranking proporcional. Assim, municípios menores podem apresentar percentuais maiores mesmo com uma quantidade menor de novos moradores.
Rio de Janeiro e Goiânia também tiveram aumentos relevantes. A população do Rio cresceu aproximadamente 105 mil habitantes, enquanto Goiânia ganhou cerca de 97 mil moradores.
Segundo a economista Carla Beni, professora da Fundação Getulio Vargas (FGV), mudanças desse tipo podem estar relacionadas, entre outros fatores, aos efeitos da pandemia e à expansão do trabalho remoto.
Nesse contexto, cidades do interior e municípios litorâneos passaram a receber novos moradores, enquanto algumas áreas metropolitanas perderam população.
São Paulo está entre as cidades que perderam população
São Paulo apresenta um dos principais contrastes do levantamento. Embora tenha um orçamento superior a R$ 109 bilhões e continue sendo o município mais populoso do país, a capital paulista perdeu aproximadamente 2,4% dos moradores.
A redução representa cerca de 288 mil pessoas. Ainda assim, São Paulo permanece na liderança populacional, com aproximadamente 11,9 milhões de habitantes na projeção para 2026.
Entre as capitais consideradas na comparação, seis registraram queda populacional. Além de São Paulo, estão Curitiba, com redução de 2,1%, Salvador, com 2%, Porto Alegre, com 1,1%, Fortaleza, com 0,5%, e Palmas, com 0,4%.
Em sentido oposto, Boa Vista teve crescimento de 22,7%. Manaus avançou 13,3%, enquanto Porto Velho registrou alta de 12,7%.
Municípios litorâneos e metropolitanos concentram quedas
As maiores reduções proporcionais ficaram concentradas principalmente em municípios litorâneos e metropolitanos dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Rio Grande do Sul.
Cubatão, em São Paulo, teve a maior queda proporcional entre os municípios citados, com redução de 10,9% na população. Na sequência, aparecem Itaguaí (RJ), com -6,6%, e Embu das Artes (SP), com -6,2%.
Guarujá e Maricá também aparecem entre os municípios que perderam moradores. Além disso, Maringá, no Paraná, e Caxias do Sul e Santa Maria, no Rio Grande do Sul, registraram redução populacional.
Essas mudanças alteram a distribuição da população entre municípios. Por isso, os números podem ter consequências não apenas demográficas, mas também administrativas e financeiras.
Mudança da população pode afetar serviços públicos
A evolução demográfica também pode exigir mudanças na oferta de serviços públicos. De acordo com Carla Beni, a composição da população é tão importante quanto o número total de habitantes.
Uma cidade que passa a concentrar mais crianças, por exemplo, pode precisar ampliar a estrutura de pediatria e escolas. Da mesma forma, o envelhecimento da população pode aumentar a demanda por geriatria, fisioterapia e adaptações de infraestrutura.
Dessa forma, alterações demográficas precisam ser acompanhadas pelos governos municipais. Caso contrário, recursos públicos podem ser direcionados para áreas que já não correspondem às principais necessidades da população.
Ademais, o número de habitantes influencia parte das receitas municipais. Assim, uma mudança na estimativa populacional pode afetar o planejamento orçamentário das prefeituras.
As estimativas do IBGE também são utilizadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) para o cálculo dos coeficientes de distribuição do Fundo de Participação dos Estados (FPE) e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).
Municípios podem contestar estimativas do IBGE
Os municípios que discordarem das estimativas populacionais divulgadas pelo IBGE podem apresentar contestação. Segundo a Confederação Nacional de Municípios (CNM), as prefeituras têm um prazo específico para questionar os números e precisam apresentar fundamentação técnica.
O procedimento, portanto, não depende apenas da manifestação política do município. É necessário apresentar dados oficiais consolidados que sustentem a divergência.
A possibilidade de contestação é relevante porque as estimativas populacionais possuem efeitos sobre indicadores sociais, econômicos e administrativos. Além disso, os números podem influenciar a distribuição de recursos entre os municípios.
Por esse motivo, o acompanhamento das alterações demográficas se torna importante para o planejamento das cidades. Ao mesmo tempo, a atualização dos dados permite que políticas públicas acompanhem as mudanças no perfil da população.





























