As micro e pequenas empresas responderam por 77,9% do saldo de empregos no Brasil desde 2023. Os dados constam em levantamento do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), elaborado com base nas informações do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED). Ao todo, o país registrou 4,4 milhões de novas vagas formais no período. Desse volume, 3,4 milhões foram criadas por negócios de menor porte.
O saldo de empregos corresponde à diferença entre admissões e desligamentos com carteira assinada. Portanto, o indicador revela a expansão líquida do mercado formal.
Participação cresce no acumulado de 2025
Além do desempenho acumulado desde 2023, os números mais recentes reforçam a tendência. Em 2025, o Brasil soma 1.279.498 postos formais criados. Nesse cenário, as micro e pequenas empresas foram responsáveis por 80,5% do total.
Em 2024, por exemplo, o saldo foi de 1,6 milhão de vagas, com participação de 73% do segmento. Já em 2023, o mercado gerou 1,4 milhão de empregos, sendo 81,3% vinculados a esses empreendimentos.
Assim, observa-se uma presença constante das micro e pequenas empresas na geração de trabalho formal. Ainda que haja variações anuais, o protagonismo permanece.
Setor de serviços concentra maior volume de vagas
Quando se analisa a distribuição por atividade econômica, o setor de serviços lidera com folga. Desde 2023, foram 1.762.309 vagas abertas por micro e pequenas empresas nessa área.
Na sequência aparecem comércio (790.385), construção (482.619), indústria de transformação (304.556) e agropecuária (53.306).
O setor de serviços inclui atividades como alimentação, transporte, tecnologia e atendimento especializado. Por isso, tende a absorver maior número de trabalhadores, especialmente em centros urbanos.
Taxa de desemprego atinge menor nível da série histórica
Paralelamente ao avanço das contratações, o mercado de trabalho apresenta queda no desemprego. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa média ficou em 5,6% em 2025, o menor patamar da série histórica.
O presidente do Sebrae, Décio Lima, atribui o resultado à ampliação do crédito e às políticas de estímulo ao empreendedorismo. Entre as iniciativas mencionadas está o programa Acredita Sebrae, operado com recursos do Fundo de Aval às Micro e Pequenas Empresas (Fampe), que movimentou R$ 11 bilhões em crédito assistido no último ano.
O crédito assistido combina financiamento com orientação técnica. Dessa forma, busca reduzir riscos e ampliar a sustentabilidade dos negócios.
Impacto estrutural na economia
As micro e pequenas empresas representam a maior parte dos CNPJs ativos no país. Além de gerar empregos, esses empreendimentos contribuem para a circulação de renda e o dinamismo econômico em municípios de diferentes portes.
Por outro lado, especialistas apontam que a manutenção do ritmo de contratações dependerá do cenário macroeconômico, do acesso a capital e do nível de consumo interno. Caso essas condições permaneçam favoráveis, a tendência é de continuidade na abertura de vagas formais.





























