A blockchain Solana manteve estabilidade nas receitas geradas por aplicações descentralizadas no primeiro trimestre de 2026, ao mesmo tempo em que registrou avanço em setores ligados a ativos tokenizados do mundo real, stablecoins e inteligência artificial. Dados divulgados pela empresa de análise on-chain Messari mostram que o chamado “PIB da rede” alcançou US$ 342,2 milhões entre janeiro e março deste ano.
O indicador representa a soma das receitas obtidas por aplicativos desenvolvidos dentro da rede. Na comparação trimestral, o resultado permaneceu praticamente estável. Ainda assim, a taxa de captura de receita das aplicações — métrica que mede a eficiência financeira dos protocolos descentralizados — avançou de 379% para 382%.
Segundo a Messari, o desempenho reforça a capacidade da Solana de sustentar modelos de negócios dentro do ecossistema blockchain, mesmo em meio à volatilidade do mercado de criptomoedas.
RWAs lideram expansão na rede Solana
Os ativos do mundo real tokenizados, conhecidos como RWAs (Real-World Assets), registraram um dos maiores avanços da rede no período. A capitalização desse segmento cresceu 43% na comparação anual e atingiu US$ 2,01 bilhões.
O principal destaque foi o BUIDL, fundo tokenizado ligado ao mercado norte-americano e lastreado em caixa e títulos do Tesouro dos Estados Unidos de curto prazo. O fundo avançou 106% no trimestre, com acréscimo de US$ 269,9 milhões em valor de mercado.
Além disso, a Anchorage Digital adicionou suporte de custódia à rede Solana. Com isso, o ativo passou a representar cerca de 81% da oferta total do fundo.
Outro destaque do levantamento foi o PRIME, token relacionado a depósitos tokenizados na blockchain. O ativo cresceu 124% e alcançou US$ 361,2 milhões. Já o protocolo Onyc avançou 101%, chegando a US$ 145,4 milhões.
Esse movimento ocorreu após a integração com o Kamino, plataforma de finanças descentralizadas que permite utilizar esses ativos como garantia em operações financeiras.
Stablecoins ampliam participação no ecossistema
O mercado de stablecoins — criptomoedas pareadas a moedas fiduciárias, como o dólar — também registrou forte crescimento na Solana. A capitalização total do segmento encerrou o primeiro trimestre em US$ 14,85 bilhões.
Dessa forma, a blockchain passou a ocupar a terceira posição entre as maiores redes do setor nesse mercado. O relatório aponta ainda que o avanço ocorreu enquanto outras plataformas relevantes registraram retração no mesmo período.
A moeda digital USD1 apresentou o maior crescimento percentual da rede. Ligada à World Liberty Financial, companhia associada à família do presidente Donald Trump, a stablecoin avançou 473% no trimestre e alcançou US$ 883,5 milhões em valor de mercado.
Além do crescimento da capitalização, os volumes negociados também aumentaram ao longo do período. Segundo a Messari, o dado indica que o capital inserido na rede está sendo utilizado de forma ativa.
Por outro lado, o USDC — principal stablecoin da Solana — encerrou o trimestre em US$ 7,83 bilhões, queda de 21% na comparação com o período anterior.
Ainda assim, a Messari afirma que outras moedas compensaram parte relevante dessa saída de recursos. O USDT, por exemplo, manteve a segunda posição entre as maiores stablecoins da rede e registrou crescimento de 34%.
Inteligência artificial avança dentro da blockchain
A integração entre inteligência artificial e blockchain também ganhou força na Solana durante o trimestre. Segundo a Messari, aplicações voltadas para agentes de IA deixaram a fase experimental e passaram a gerar resultados econômicos concretos.
O relatório atribui esse movimento às baixas taxas operacionais da Solana e à velocidade das transações, que podem ser concluídas em menos de um segundo.
Além disso, o protocolo de pagamentos x402 ampliou sua adoção entre provedores de infraestrutura digital. Como resultado, aplicações automatizadas e voltadas para máquinas ganharam espaço dentro do ecossistema blockchain.
Queda no TVL não refletiu perda de usuários
Apesar do avanço em diferentes segmentos, a rede registrou queda de 22% no valor total bloqueado (TVL) em protocolos de finanças descentralizadas. O indicador mede o volume de ativos depositados em aplicações DeFi.
Segundo o relatório, a retração ocorreu principalmente por causa da desvalorização do token SOL, que recuou 33% no período. Portanto, a queda não indicou necessariamente redução da base de usuários da rede.





























