As tensões entre Estados Unidos e Irã voltaram a influenciar os mercados globais nesta segunda-feira (1º). Informações divergentes sobre o andamento das negociações entre os dois países aumentaram a cautela dos investidores e provocaram movimentos relevantes em diferentes classes de ativos.
Nesse cenário, o Ibovespa registrou sua quinta sessão consecutiva de queda e encerrou o pregão com recuo de 0,91%, aos 172.197 pontos. Em contrapartida, o dólar à vista caiu 0,40% frente ao real e fechou cotado a R$ 5,02.
Ao longo do dia, investidores acompanharam declarações conflitantes vindas de Washington e Teerã. Enquanto autoridades iranianas indicaram dificuldades nas negociações, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que as conversas seguem em andamento e avançam rapidamente.
Como resultado, a percepção de risco aumentou. Além disso, cresceram as preocupações sobre possíveis impactos na oferta global de energia, especialmente devido à relevância estratégica do Oriente Médio para o mercado petrolífero.
Petróleo dispara com receios sobre fornecimento global
O petróleo foi o principal destaque entre as commodities.
O barril do Brent, referência internacional, subiu 4,24% e encerrou o dia cotado a US$ 94,98. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, avançou 5,49%, alcançando US$ 92,16 por barril.
A valorização ocorreu porque investidores passaram a avaliar os riscos de interrupções na oferta mundial caso o ambiente geopolítico se deteriore. Além disso, declarações de autoridades iranianas sobre divergências nas negociações nucleares ampliaram a insegurança do mercado.
Outro fator relevante foi o debate sobre o futuro do Estreito de Ormuz. A região é considerada uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo. Portanto, qualquer ameaça à sua operação costuma influenciar diretamente os preços da commodity.
Segundo o Goldman Sachs, o Brent ainda pode alcançar US$ 90 por barril no quarto trimestre de 2026. Entretanto, o banco destaca que a trajetória dos preços dependerá do equilíbrio entre oferta e demanda nos próximos meses.
Vale e bancos pressionam o desempenho do Ibovespa
No Brasil, o desempenho negativo da Bolsa foi impulsionado principalmente pelas ações ligadas à mineração e ao setor financeiro.
A Vale caiu 1,35%, acompanhando a desvalorização do minério de ferro negociado na China. O contrato mais líquido da commodity fechou o dia em baixa de 0,19% na Bolsa de Dalian.
Da mesma forma, os bancos exerceram forte pressão sobre o índice. O Índice Financeiro (IFNC), que reúne as principais instituições financeiras listadas na Bolsa, recuou 1,25%.
Entre as maiores perdas do pregão, a Minerva liderou o movimento negativo, com queda de 5,15%.
Por outro lado, a Petrobras foi beneficiada pela disparada do petróleo no mercado internacional. As ações ordinárias da estatal avançaram 1,31%, enquanto os papéis preferenciais subiram 0,88%.
Além disso, a Totvs registrou a maior valorização do Ibovespa. As ações da companhia avançaram 4,32%, impulsionadas pelo bom desempenho de empresas de tecnologia e software no exterior.
Focus reforça preocupação com inflação acima da meta
Além do cenário externo, investidores monitoraram a divulgação do Boletim Focus, relatório semanal elaborado pelo Banco Central.
Os; dados mostraram nova deterioração das expectativas para a inflação brasileira. Pela 12ª semana consecutiva, a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026 foi revisada para cima.
A estimativa passou de 5,04% para 5,09%. O número permanece acima do teto da meta de inflação, atualmente fixado em 4,5%.
Além disso, as projeções para 2027 e 2028 também apresentaram pequenas elevações. Embora as mudanças tenham sido discretas, elas reforçam a percepção de que o processo de convergência inflacionária poderá ser mais lento do que o esperado anteriormente.
Ouro perde força em meio à valorização do dólar
Apesar do aumento das incertezas geopolíticas, o ouro encerrou o dia em queda.
O contrato mais negociado do metal precioso na Bolsa de Nova York recuou 1,89%, fechando a US$ 4.506,30 por onça-troy. A prata também terminou a sessão no campo negativo.
Esse movimento ocorreu porque o dólar ganhou força frente a outras moedas relevantes. Ao mesmo tempo, os rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano, conhecidos como Treasuries, avançaram.
Nesse contexto, parte dos investidores migrou recursos para ativos que oferecem retorno financeiro direto. Como o ouro não gera rendimento, sua atratividade diminui em períodos de juros mais elevados.
Analistas observam que o metal costuma apresentar desempenho superior quando há desaceleração econômica, queda dos juros e enfraquecimento da moeda norte-americana. No cenário atual, contudo, esses fatores não predominam.
Bolsas globais encerram o dia sem direção única
Nos Estados Unidos, os principais índices acionários fecharam em níveis recordes. O movimento foi sustentado principalmente pelas ações de tecnologia e pelas declarações de Trump sobre a continuidade das negociações com o Irã.
O Dow Jones avançou 0,09%. Já o S&P 500 subiu 0,26%. Enquanto isso, o Nasdaq registrou ganho de 0,42%.
Na Europa, entretanto, o cenário foi diferente. O índice pan-europeu Stoxx 600 recuou 0,76%, refletindo a preocupação dos investidores com os desdobramentos da crise no Oriente Médio.
Por sua vez, os mercados asiáticos encerraram a sessão em alta. O Nikkei, do Japão, avançou 0,91%. Já o Hang Seng, de Hong Kong, registrou valorização de 0,86%.
Segundo analistas, o desempenho positivo na região foi impulsionado principalmente por empresas ligadas ao setor de inteligência artificial.
Próximos passos dependem do avanço das negociações
Os investidores devem continuar atentos aos desdobramentos das conversas entre Estados Unidos e Irã nos próximos dias.
Caso ocorram avanços concretos nas negociações, a tendência é de redução da volatilidade e alívio nas preocupações relacionadas ao fornecimento de energia. Além disso, os preços do petróleo podem perder parte do impulso recente.
Por outro lado, novos impasses ou uma eventual escalada do conflito podem elevar novamente a aversão ao risco. Nesse caso, os reflexos podem atingir os mercados financeiros, as expectativas de inflação e os preços das commodities em escala global.
Dessa forma, o cenário geopolítico continuará sendo um dos principais fatores de influência sobre os mercados internacionais no curto prazo.





























