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Home Economia

Cortes da Selic ganham espaço, mas Copom mantém cautela

Thaffarel Goncalves Por: Thaffarel Goncalves
12/08/2026
em Economia
0
IPCA desacelera, mas Copom mantém cautela com a Selic

Ata do Copom divide economistas sobre a Selic. (Foto: RHJ/iStock)

A inflação de julho reforçou a possibilidade de novos cortes da Selic, mas a Ata da última reunião do Copom manteve um obstáculo para uma flexibilização mais rápida dos juros: as expectativas de inflação continuam desancoradas. O IPCA subiu 0,07% no mês e caiu de 4,64% para 4,44% no acumulado de 12 meses.

Os dados divulgados nesta terça-feira (11) indicam uma melhora do cenário inflacionário. Ainda assim, o Banco Central mantém a avaliação de que a política monetária precisa continuar restritiva. Em termos práticos, isso significa manter os juros em nível elevado para conter a demanda e reduzir as pressões sobre os preços.

A combinação entre inflação corrente mais baixa e expectativas ainda pressionadas divide a avaliação dos economistas sobre o ritmo dos próximos cortes.

IPCA desacelera, mas serviços seguem no radar

O IPCA de julho apresentou uma composição considerada favorável por André Valério, economista sênior do Inter. Segundo ele, o resultado levou a inflação acumulada em 12 meses novamente para abaixo do teto da meta.

A inflação também ficou menos disseminada. O índice de difusão, que mede a proporção de itens pesquisados com aumento de preços, caiu de 54% para 50%. Foi o menor nível em um ano.

Entre os grupos pesquisados pelo IBGE, Alimentação e bebidas registrou queda de 0,67%. Já Habitação subiu 0,99%, influenciada principalmente pela energia elétrica. Os movimentos tiveram efeitos próximos sobre o resultado geral do índice.

O comportamento dos serviços, contudo, exige atenção. A inflação desse grupo acelerou de 0,33% em junho para 0,54% em julho.

Parte da alta veio das passagens aéreas. Mesmo retirando esse componente, porém, os serviços continuaram apresentando aceleração. Ao mesmo tempo, os preços de bens livres e industriais registraram deflação.

Para Valério, a combinação entre menor pressão inflacionária e sinais de moderação da atividade econômica favorece a continuidade dos cortes da Selic.

O Inter projeta reduções de 0,25 ponto percentual nas reuniões restantes de 2026. Nesse cenário, a taxa básica de juros chegaria a 13,25% ao ano no fim do período.

Ata do Copom mostra divergência sobre os juros

A interpretação da Ata do Copom apresenta diferenças entre os economistas. Yihao Lin, da Genial Investimentos, considerou o documento mais favorável à continuidade da redução dos juros do que o comunicado divulgado após a reunião.

Na avaliação de Lin, a expectativa de desaceleração da atividade econômica e a melhora dos indicadores recentes de inflação abrem espaço para outro corte de 0,25 ponto percentual em setembro.

O economista também considera relevante a forma como o Copom tratou a inflação corrente e as expectativas futuras. Para ele, a melhora dos dados até setembro será importante para sustentar a continuidade do ciclo de redução da Selic.

Felipe Rodrigo de Oliveira, economista-chefe da MAG Investimentos, adota uma interpretação mais cautelosa. Para ele, a Ata combina a redução dos juros com uma comunicação mais dura sobre os riscos inflacionários.

Na prática, uma comunicação hawkish indica uma postura mais preocupada com a inflação e menos favorável a cortes rápidos dos juros. Oliveira entende que o documento não sinaliza o tamanho nem o calendário das próximas reduções.

Expectativas de inflação são o principal obstáculo

Apesar das diferenças de interpretação, os dois economistas apontam a desancoragem das expectativas como um dos principais pontos de atenção do Banco Central.

Expectativas desancoradas significam que as projeções para a inflação permanecem acima dos níveis desejados pela autoridade monetária. Quando isso ocorre, o Banco Central pode precisar manter os juros elevados por mais tempo para evitar que essas projeções se transformem em aumentos efetivos de preços.

A Ata reforçou justamente essa preocupação. O Copom avaliou que o cenário exige uma política monetária restritiva por mais tempo.

Esse ponto limita uma eventual aceleração dos cortes da Selic. Mesmo com a melhora do IPCA, o Banco Central precisa avaliar se a queda da inflação será persistente e se as expectativas também apresentarão melhora.

Para Lin, a evolução favorável dos preços pode sustentar novos cortes. Oliveira, por outro lado, entende que as expectativas ainda pressionadas justificam maior cautela.

O que pode definir os próximos cortes da Selic

Os próximos dados de inflação e atividade econômica devem ganhar importância nas decisões do Copom. Uma continuidade da desinflação, acompanhada por menor pressão nos serviços e melhora das expectativas, pode fortalecer o espaço para novas reduções.

Caso as expectativas permaneçam elevadas, o Banco Central poderá manter uma postura mais cautelosa. Nesse cenário, o ritmo de flexibilização dos juros tende a depender da evolução dos indicadores entre cada reunião.

Por enquanto, o cenário reúne sinais favoráveis e fatores de risco. O IPCA indica menor pressão sobre os preços, enquanto a Ata mostra que o Banco Central ainda considera necessário manter a política monetária restritiva.

A direção dos próximos cortes, portanto, dependerá menos de um único indicador e mais da combinação entre inflação, atividade econômica e expectativas.

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