A BASF contratou quatro bancos de investimento para coordenar a preparação do IPO da BASF Agricultural Solutions, divisão agrícola que a companhia alemã pretende levar à Bolsa de Frankfurt em 2027. Citi, Deutsche Bank, Goldman Sachs e J.P. Morgan atuarão na operação, que ainda não tem data definida e dependerá das condições do mercado de capitais.
A oferta pública inicial de ações, conhecida pela sigla IPO, representa uma das principais etapas da separação do negócio agrícola da BASF. No entanto, a empresa afirma que a operação poderá ocorrer até meados de 2027, sem estabelecer uma data definitiva.
Além disso, a futura companhia será constituída como uma Sociedade Europeia (SE), modelo jurídico adotado em países da União Europeia. Depois da abertura de capital, a BASF continuará como acionista majoritária do negócio.
IPO da BASF Agricultural Solutions avança
A contratação dos bancos ocorre enquanto a BASF conclui a separação jurídica e operacional da divisão. Segundo a empresa, cerca de 80% das operações agrícolas no mundo já foram transferidas para entidades jurídicas próprias.
Ao mesmo tempo, essas estruturas passaram a utilizar um sistema independente de gestão empresarial, conhecido como ERP. A ferramenta reúne processos como finanças, compras, vendas e controle operacional em uma mesma plataforma.
Na Alemanha e na América do Norte, a separação jurídica e dos sistemas foi concluída em 2025. Já no Brasil, uma nova entidade passou a operar oficialmente em julho de 2026.
Dessa forma, a reorganização avança antes da possível abertura de capital. O projeto faz parte da estratégia da BASF para transformar a divisão agrícola em uma empresa independente.
O negócio reúne atividades como defensivos agrícolas, sementes, produtos biológicos e tecnologias digitais para o campo. Assim, a futura companhia concentrará diferentes áreas da cadeia de soluções agrícolas em uma estrutura própria.
Empresa agrícola terá direção própria
A BASF também já definiu parte da estrutura de comando da futura companhia. Livio Tedeschi será o presidente, enquanto Sascha Bibert ocupará o cargo de diretor financeiro.
Tedeschi já comandava a divisão de Soluções Agrícolas da BASF. Agora, a nova empresa deverá concentrar as operações relacionadas à agricultura que hoje estão distribuídas dentro do grupo alemão.
A separação busca permitir que o negócio tenha uma estrutura dedicada exclusivamente ao setor agrícola. Ademais, a BASF afirma que a mudança poderá facilitar uma estratégia própria para investimentos e crescimento.
O projeto integra a estratégia denominada “Winning Ways”. Nesse contexto, a abertura de capital é apresentada pela companhia como uma forma de revelar o valor do negócio de maneira mais independente perante o mercado.
Divisão agrícola fatura bilhões de euros
A operação tem peso relevante dentro da BASF. Em 2025, a divisão agrícola movimentou 9,5 bilhões de euros e respondeu por mais de 16% da receita do grupo.
Em valores convertidos pelas informações de origem, o montante equivale a cerca de R$ 57 bilhões. A receita, porém, caiu 2% em relação ao ano anterior.
A América do Norte representa 40% das receitas da divisão, enquanto a Europa responde por 26%. Por sua vez, a América do Sul representa 24% desse total.
O Brasil está entre os três mercados mais importantes da divisão agrícola da BASF no mundo. Na região, o país é a principal operação da companhia na América do Sul.
Ainda assim, a BASF não divulgou uma receita específica para o mercado brasileiro nas informações consideradas para esta reportagem.
Próximo passo será em novembro
O próximo evento relevante para a separação ocorrerá em 24 de novembro de 2026. Na ocasião, a BASF realizará seu Capital Markets Day, encontro destinado a apresentar a investidores e analistas a estratégia e os números do negócio.
A companhia deverá detalhar a estrutura e os planos da divisão agrícola durante o evento. Além disso, os quatro integrantes do conselho de administração da futura empresa participarão da apresentação.
A contratação de Citi, Deutsche Bank, Goldman Sachs e J.P. Morgan não significa que o IPO já esteja confirmado para uma data específica. Por isso, a BASF ainda precisará avaliar as condições do mercado antes de definir a execução da oferta.
Até o momento, o movimento indica que a separação do negócio agrícola entrou em uma etapa mais avançada. A companhia trabalha para deixar a operação pronta para uma eventual listagem em 2027.





























