A seca e estiagem no Norte afetaram mais de 426,3 mil pessoas entre 1º de julho e 15 de setembro de 2026. Segundo levantamento da Confederação Nacional de Municípios (CNM), 33 municípios da região registraram 35 ocorrências de anormalidade relacionadas à falta de chuvas.
O Acre concentrou a maior parte dos registros. Ao todo, o Estado contabilizou 24 ocorrências, o equivalente a cerca de 69% do total. Além disso, o número representa alta de 20% em relação às 20 ocorrências registradas no mesmo período de 2025.
Nos demais Estados, os registros também atingiram diferentes localidades. O Amazonas contabilizou seis ocorrências, enquanto o Pará registrou três. Roraima e Rondônia, por sua vez, tiveram uma ocorrência cada.
Seca e estiagem no Norte provocam prejuízos econômicos
Além dos impactos sobre a população, a falta de chuvas provocou perdas econômicas estimadas em R$ 632 milhões na região durante o período analisado. Desse montante, a agricultura respondeu por R$ 46,8 milhões.
A pecuária, por outro lado, acumulou perdas de R$ 32,6 milhões. Já os problemas relacionados ao abastecimento de água potável somaram R$ 17 milhões.
Esses números mostram que os efeitos da seca vão além da redução das chuvas. Quando os períodos de estiagem se prolongam, rios e mananciais podem apresentar níveis mais baixos. Com isso, o abastecimento de água e as atividades rurais ficam mais vulneráveis.
Nesse cenário, a falta de chuva também aumenta a preocupação com os próximos meses. A CNM incluiu os registros recentes em um alerta relacionado às condições esperadas para o fenômeno El Niño durante 2026 e 2027.
Previsão indica possibilidade de chuvas abaixo da média
Para o período entre setembro e novembro de 2026, a previsão aponta maior probabilidade de chuvas abaixo da média em várias áreas do Brasil. Entre as regiões sob essa perspectiva está o Norte do país.
Ao mesmo tempo, a previsão indica temperaturas acima da média em todo o território nacional. Dessa forma, a combinação de calor mais intenso e menor volume de chuva pode aumentar a pressão sobre os recursos hídricos.
Nesse contexto, o El Niño ganha importância nas projeções climáticas. O fenômeno ocorre quando as águas da região equatorial do Oceano Pacífico ficam anormalmente mais quentes. Como consequência, essa alteração pode modificar a circulação atmosférica e o regime de chuvas em diferentes partes do mundo.
De acordo com a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), existe cerca de 69% de probabilidade de o El Niño atingir intensidade considerada histórica entre outubro e dezembro de 2026.
Segundo a NOAA, a projeção considera a possibilidade de o fenômeno superar a intensidade de eventos registrados desde 1950. Ainda assim, trata-se de uma estimativa climática. Portanto, os números podem mudar conforme novos dados entram nos modelos de acompanhamento.
Municípios são orientados a reforçar prevenção
Diante da possibilidade de novas ocorrências, a CNM recomenda que os municípios mantenham atualizados seus planos de contingência. Esses documentos definem medidas para situações de emergência e, assim, ajudam as autoridades a organizar uma resposta rápida.
Ademais, a entidade orienta as administrações municipais a mapear áreas de risco e reforçar as equipes locais de Defesa Civil. A inspeção de locais vulneráveis também deve fazer parte das ações preventivas.
Outro ponto envolve os sistemas de monitoramento e alerta. Com essas estruturas em funcionamento, as autoridades podem identificar mudanças nas condições climáticas e comunicar a população com maior rapidez.
Por isso, a articulação entre municípios, Estados e governo federal também ganha importância. A integração das informações pode facilitar a adoção de medidas antes que a falta de chuva provoque novos impactos sobre o abastecimento, a produção rural e a população.
Assim, o acompanhamento das condições climáticas deve continuar nos próximos meses. A atenção é especialmente importante diante das previsões de chuva abaixo da média e das condições esperadas para o El Niño.
A evolução da seca e estiagem no Norte deve continuar sob monitoramento, principalmente nas áreas que já registraram ocorrências. Com isso, as autoridades podem ajustar as medidas de prevenção conforme a evolução das condições climáticas.





























