Raízen (RAIZ4), FS e São Martinho (SMTO3) concentram as maiores exposições ao crédito privado entre os grupos do setor sucroenergético. Juntas, portanto, as empresas respondem por R$ 25,44 bilhões dos R$ 58,4 bilhões em dívidas levantadas pelo segmento, segundo levantamento da Vitrify com dados até 2 de outubro de 2026.
Na sequência, a Raízen lidera o ranking, com R$ 13,51 bilhões, o equivalente a 23,1% do total. Depois dela, aparecem a FS, com R$ 6,12 bilhões, e a São Martinho, com R$ 5,81 bilhões.
Além das três maiores, Cocal, com R$ 4,32 bilhões, e Açucareira Quatá, com R$ 3,09 bilhões, completam as cinco maiores exposições identificadas pelo estudo.
Crédito privado financia usinas de açúcar e etanol
Ao todo, o levantamento identificou 60 grupos econômicos com exposição como devedores ou garantidores de operações de crédito privado. Nesse universo, os grupos reúnem 193 operações e 259 instrumentos financeiros em circulação.
Entre esses instrumentos, os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) representam 46% do saldo. Por outro lado, as debêntures respondem pelos outros 54%. Além disso, grande parte desses papéis conta com incentivo relacionado a projetos de infraestrutura.
O volume integralizado chega a R$ 54,6 bilhões. Desse montante, o recorte representa 14% do estoque de CRAs e 1,9% do estoque de debêntures registrados na B3.
No caso específico da Raízen, a exposição inclui R$ 9,81 bilhões como devedora. Além disso, a companhia aparece como garantidora de R$ 3,7 bilhões em debêntures da Raízen S.A.
Essa diferença entre os valores decorre da metodologia do levantamento. Isso porque o ranking por grupo econômico consolida tanto as dívidas próprias quanto as garantias oferecidas pelas empresas.
Usinas concentram a maior parte dos recursos
De acordo com o estudo, as usinas respondem por R$ 51,4 bilhões do saldo analisado, ou 88% do total. Por sua vez, a FS aparece separadamente na classificação de empresas de etanol de milho, com R$ 5,1 bilhões, equivalentes a 8,7%.
Além disso, os fornecedores de cana concentram R$ 1,5 bilhão, ou 2,5% do saldo. Já a Copersucar, única trading incluída no estudo, aparece com R$ 460 milhões, o equivalente a 0,8%.
Em relação à remuneração, a estrutura dos títulos mostra forte concentração em papéis indexados à inflação. Os instrumentos remunerados pelo IPCA mais uma taxa adicional representam 69,2% do saldo, ou R$ 40,5 bilhões.
Na outra ponta, os títulos prefixados somam R$ 7,5 bilhões, equivalentes a 12,8%. Enquanto isso, os papéis atrelados ao CDI representam R$ 6,5 bilhões, ou 11%. Por fim, os títulos que pagam um percentual do CDI alcançam R$ 4,1 bilhões, equivalentes a 7%.
Vencimentos se concentram entre 2029 e 2032
Quanto aos prazos, os instrumentos analisados apresentam prazo médio ponderado de 5,1 anos. Dessa forma, uma parcela relevante dos vencimentos está concentrada entre 2029 e 2032.
Entre esses anos, 2032 reúne o maior volume, com R$ 12,96 bilhões em títulos com vencimento previsto para o período.
Já em relação à destinação dos recursos, os projetos de investimento respondem por 51,8% do saldo, ou R$ 30,3 bilhões. Em seguida, aparecem as operações classificadas como destinadas a usinas sucroalcooleiras, com R$ 25,5 bilhões, equivalentes a 43,6%.
Mercado secundário movimenta R$ 21,1 bilhões
Além do mercado primário, os títulos também tiveram participação relevante no mercado secundário em 2026. Até 2 de outubro, as negociações movimentaram R$ 21,1 bilhões em 225.216 operações.
Desse total, 162 dos 259 instrumentos identificados pela Vitrify foram negociados no período. Ao mesmo tempo, essas negociações envolveram 122 operações.
Para chegar aos números, o levantamento utilizou dados dos registros da B3 para consolidar informações sobre emissões, características dos títulos, vencimentos e negociações. Assim, o estudo oferece um retrato da exposição do setor sucroenergético ao mercado de crédito privado até o início de outubro de 2026.





























