A escassez de talentos continua entre os principais desafios do mercado de trabalho brasileiro. Em 2026, oito em cada dez empresas relatam dificuldade para preencher vagas. Os dados são da Pesquisa Global de Escassez de Talentos 2026, do ManpowerGroup. O índice de 80% mantém o Brasil entre os países com maior dificuldade de recrutamento. Além disso, reforça que o problema deixou de ser pontual e passou a fazer parte da dinâmica do mercado.
Embora o percentual tenha recuado um ponto em relação a 2025, o cenário permanece praticamente inalterado desde 2022. Naquele ano, o índice chegou a 81%. Antes desse período, em 2019, a dificuldade atingia 52% das empresas. Dessa forma, os números mostram uma mudança significativa nas condições de contratação ao longo dos últimos anos.
Escassez de talentos permanece em nível elevado
A pesquisa foi realizada entre 1º e 31 de outubro de 2025 e divulgada em julho de 2026. Ao todo, o levantamento ouviu 39.063 empregadores em 41 países, incluindo empresas brasileiras. O objetivo foi identificar os principais desafios enfrentados na contratação de profissionais.
Os resultados mostram que a dificuldade de recrutamento afeta empresas de diferentes portes e setores da economia. Depois da forte alta registrada entre 2019 e 2022, o indicador permaneceu próximo de 80%. Assim, ainda não voltou aos níveis observados antes da pandemia.
Esse cenário revela um descompasso entre as competências exigidas pelas empresas e as habilidades disponíveis no mercado de trabalho. Como consequência, muitos processos seletivos demoram mais. Além disso, as empresas aumentam os gastos para atrair e reter profissionais qualificados.
Grandes empresas enfrentam mais obstáculos para contratar
As empresas de maior porte lideram os índices de escassez de talentos. Entre as organizações com 1.000 a 4.999 funcionários, 90% relatam dificuldades para preencher vagas. Nessas empresas, faltam candidatos com as competências exigidas.
O levantamento também mostra diferenças entre os setores da economia. A maior dificuldade aparece nas empresas de serviços profissionais, científicos e técnicos, onde 85% dos empregadores relatam problemas para contratar. Em seguida vem o setor de informação, com 83%.
Segundo o estudo, a falta de profissionais qualificados reduz a produtividade. Além disso, limita a expansão das empresas e dificulta investimentos em áreas consideradas estratégicas.
São Paulo lidera a dificuldade de contratação
A escassez de talentos também varia entre as regiões do país. São Paulo lidera o levantamento, com 88% das empresas relatando dificuldades para contratar profissionais qualificados.
Na sequência aparecem Minas Gerais, com 85%, Rio de Janeiro, com 80%, e Paraná, com 74%.
De acordo com a pesquisa, essas diferenças refletem características regionais. Entre elas estão a concentração de determinados setores econômicos e a disponibilidade de profissionais especializados.
Competências técnicas e comportamentais ganham espaço
A pesquisa também identifica as habilidades mais procuradas pelas empresas brasileiras.
Entre as competências técnicas mais demandadas estão o desenvolvimento de aplicações de inteligência artificial (IA), o letramento em IA — capacidade de compreender e utilizar ferramentas baseadas nessa tecnologia —, tecnologia da informação e análise de dados. Também aparecem atendimento ao cliente, marketing e vendas.
Ao mesmo tempo, as habilidades comportamentais ganharam mais importância nos processos seletivos. As empresas valorizam profissionalismo, ética, comunicação, trabalho em equipe, capacidade de adaptação, disposição para aprender, pensamento crítico, resolução de problemas e letramento digital.
Escassez de talentos influencia estratégias das empresas
A dificuldade para contratar profissionais produz efeitos que vão além dos processos seletivos. Segundo o levantamento, a escassez de talentos intensifica a concorrência entre empresas por mão de obra especializada. Como resultado, pressiona salários em alguns segmentos e amplia a necessidade de investir em capacitação.
Para os trabalhadores que possuem as competências mais demandadas, esse cenário amplia as oportunidades de inserção e crescimento profissional.
Por outro lado, empresas e formuladores de políticas públicas enfrentam um desafio maior. Os resultados reforçam a importância de ampliar a qualificação profissional e reduzir a distância entre as habilidades disponíveis e aquelas exigidas pelo mercado.
Mesmo com a leve redução registrada em relação ao ano anterior, a Pesquisa Global de Escassez de Talentos 2026 indica que a falta de mão de obra qualificada continua sendo um desafio estrutural no Brasil. A estabilidade do índice nos últimos quatro anos mostra que a formação de profissionais continuará sendo prioridade. Além disso, o desenvolvimento de competências deve permanecer entre os principais fatores para a competitividade das empresas nos próximos anos.





























