O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a Selic de 14% para 13,75% ao ano. A decisão, tomada de forma unânime, estava alinhada às expectativas do mercado. Agora, investidores acompanham os próximos sinais do Banco Central sobre a continuidade do ciclo de cortes.
A taxa básica de juros chegou a 13,75% após mais uma redução de 0,25 ponto percentual. Ao mesmo tempo, o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, elevou sua taxa para a faixa entre 3,75% e 4%.
Diante desse cenário, a reação dos ativos brasileiros tende a depender não apenas da decisão do Copom, mas também do comportamento dos mercados internacionais.
Selic a 13,75% mantém atenção sobre os próximos passos do Copom
Embora o corte já estivesse amplamente previsto, a comunicação do Banco Central ganhou importância. O Copom manteve a indicação de que suas decisões continuarão dependendo da evolução da inflação e da atividade econômica.
Segundo Flávio Serrano, economista-chefe do Banco Bmg, o comunicado manteve a mesma mensagem apresentada anteriormente. Por isso, a decisão deixa espaço para uma nova redução da Selic na próxima reunião.
Para Serrano, o Banco Central pode tanto realizar outro corte quanto interromper o ciclo, dependendo das condições econômicas. Ainda assim, o cenário considerado pelo Bmg prevê uma nova redução em novembro, levando a Selic para 13,50% em dezembro.
Nesse caso, a instituição trabalha com uma pausa posterior. A ideia seria observar os efeitos de fatores como o fenômeno El Niño e uma eventual alta dos preços dos combustíveis.
Além disso, Serrano destacou que os preços domésticos de combustíveis estão defasados em relação ao mercado internacional. Dessa forma, uma eventual correção poderia aumentar as pressões sobre a inflação.
Juros futuros devem ter reação limitada
Nos contratos de juros futuros, a expectativa era de uma reação mais moderada. Isso ocorre porque o mercado já havia incorporado grande parte da decisão do Copom aos preços.
Antes da reunião, a curva de juros indicava uma expectativa próxima de 13 pontos-base de redução na Selic em novembro. Assim, o corte efetivamente anunciado não representou uma surpresa relevante para os investidores.
A equipe da Warren Rena também avaliava que a curva deveria apresentar uma movimentação limitada. O entendimento era de que a decisão estava alinhada às expectativas e que o comunicado trouxe poucas mudanças relevantes em relação à comunicação anterior.
Enquanto isso, o Ibovespa encerrou a sessão anterior em queda de 0,51%, aos 185.547,66 pontos. No mercado internacional, porém, o EWZ, fundo negociado nos Estados Unidos que acompanha ações brasileiras, chegou a subir 1,39%, para US$ 38, por volta das 19h no horário de Brasília.
Para Flávio Serrano, a reação da Bolsa brasileira tende a ser mais contida. Nesse sentido, os mercados externos continuam sendo um fator importante para o desempenho dos ativos domésticos.
Dólar também reage aos juros dos Estados Unidos
No mercado de câmbio, o dólar à vista terminou a sessão anterior em R$ 5,1514, com queda de 0,07%. A trajetória da moeda, entretanto, também está relacionada às decisões do Federal Reserve.
O banco central americano elevou os juros em 0,25 ponto percentual, para a faixa entre 3,75% e 4%. Além disso, a autoridade monetária sinalizou cautela em relação aos próximos passos.
Esse movimento pode afetar o real porque juros mais elevados nos Estados Unidos tendem a alterar a atratividade relativa dos investimentos em mercados emergentes. Ao mesmo tempo, uma política monetária americana mais restritiva pode aumentar a procura por ativos denominados em dólar.
Segundo Edson Mendes, da Private Investimentos, a combinação de juros menores no Brasil e maiores nos Estados Unidos reduz o diferencial entre as taxas. Como consequência, o real pode ficar mais pressionado, especialmente em períodos de maior aversão ao risco.
Augusto Parente, especialista em investimentos e fundador da AW Capital, também apontou a possibilidade de pressão sobre a moeda brasileira. Para ele, os investidores ainda precisam incorporar ao mercado local os efeitos da decisão do Federal Reserve.
Cenário internacional aumenta a atenção sobre a inflação
A combinação entre a política monetária brasileira e a americana cria um ambiente que exige atenção. De um lado, o Banco Central mantém espaço para continuar reduzindo a Selic. De outro, o Federal Reserve adota uma postura mais cautelosa diante das pressões inflacionárias.
Nesse contexto, uma eventual desvalorização do real pode gerar efeitos sobre os preços de produtos industrializados. Além disso, choques nos preços dos combustíveis podem acrescentar novas pressões inflacionárias.
Por isso, a evolução da atividade econômica será um dos fatores observados pelo Copom. Caso a inflação de serviços volte a ganhar força ou as expectativas se deteriorem, o Banco Central poderá rever o ritmo de flexibilização monetária.
Ainda assim, o comunicado divulgado após a reunião manteve a estratégia de buscar a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante.
Assim, a decisão de reduzir a Selic para 13,75% não encerra a discussão sobre os juros brasileiros. Nos próximos meses, o mercado deverá acompanhar tanto os indicadores domésticos quanto as decisões das principais economias globais para avaliar os próximos passos da política monetária.





























