O preço dos ovos registrou forte alta no início de 2026 em diferentes regiões do Brasil, chegando a quase dobrar em alguns polos produtores. Ainda assim, os valores atuais permanecem abaixo dos níveis observados no mesmo período de 2025, quando a oferta do produto estava mais restrita.
Levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo, mostra que a caixa com 30 dúzias de ovos brancos em Santa Maria de Jetibá subiu 97,1% entre janeiro e fevereiro. O valor passou de R$ 82,99 para R$ 163,52.
Em Bastos, outro importante polo da avicultura de postura, a alta foi de 77,6% no mesmo intervalo.
Recuperação ocorre após meses de queda
A elevação recente do preço dos ovos acontece após um período prolongado de recuo nas cotações. Antes da recuperação observada em fevereiro, o mercado havia registrado cinco meses consecutivos de queda.
De acordo com a pesquisadora Cláudia Scarpelin, do Cepea, fatores sazonais ajudam a explicar esse comportamento. Durante as férias escolares, por exemplo, muitas famílias viajam ou alteram os hábitos alimentares. Como consequência, o consumo doméstico tende a diminuir temporariamente.
Com menor demanda e oferta elevada, os preços recuaram no início do ano. Em janeiro de 2026, a caixa com 30 dúzias chegou a R$ 89 em Santa Maria de Jetibá, o menor valor para o mês em seis anos.
No entanto, o cenário começou a mudar nas semanas seguintes. Com a volta às aulas e o retorno da rotina das famílias, o consumo voltou a crescer. Ao mesmo tempo, a oferta passou a se ajustar. Dessa forma, os preços reagiram no mercado.
Quaresma aumenta consumo de ovos
Outro fator que contribui para a alta do preço dos ovos é a Quaresma, período do calendário cristão que antecede a Páscoa.
Tradicionalmente, muitos consumidores reduzem o consumo de carne nesse intervalo por motivos religiosos. Assim, os ovos acabam sendo utilizados como alternativa de proteína, o que amplia a procura pelo produto.
Segundo Scarpelin, a expectativa do setor é de preços mais firmes ao longo desse período. A demanda tende a crescer gradualmente à medida que a Páscoa se aproxima.
Por outro lado, o comportamento do mercado após a Quaresma dependerá do equilíbrio entre produção e consumo. Caso a oferta continue aumentando e a demanda não acompanhe esse ritmo, os preços podem voltar a cair.
Valores ainda estão abaixo de 2025
Apesar da valorização recente, o preço dos ovos ainda não atingiu os patamares registrados no ano passado.
Em fevereiro de 2025, a caixa com 30 dúzias de ovos brancos chegou a superar R$ 220 no mercado paulista. Já em fevereiro de 2026, o mês terminou com o produto cotado a R$ 177,59.
Na prática, isso representa uma queda de 19,3% na comparação anual, considerando valores corrigidos pela inflação.
Naquele período, o mercado enfrentava restrições de oferta. Altas temperaturas afetaram a produção das galinhas poedeiras — aves criadas especificamente para a produção de ovos — e contribuíram para uma valorização mais intensa.
Enquanto isso, em 2026, a situação foi diferente. O aumento da produção ao longo do ano anterior ampliou a disponibilidade do produto no mercado. Como resultado, o novo ciclo começou com preços mais baixos.
Custo da ração também influencia o mercado
Além da demanda, o custo da alimentação das aves também afeta diretamente o setor. O milho, principal componente da ração das galinhas poedeiras, tem peso relevante na formação dos custos de produção.
Durante os meses de queda no preço dos ovos, os produtores perderam poder de compra. Em outras palavras, o valor obtido com a venda do produto permitia adquirir menos insumos para a atividade.
Com a recuperação das cotações em fevereiro, essa relação começou a melhorar.
Dados do Cepea indicam que produtores paulistas passaram a conseguir comprar 131,22 quilos de milho com a venda de uma caixa de ovos brancos. No caso dos ovos vermelhos, a quantidade chegou a 147,77 quilos.
Em comparação com janeiro, esses volumes representam aumento de 36,7% e 37,1%, respectivamente.
Situação semelhante ocorreu com o farelo de soja, outro ingrediente utilizado na ração das aves. Com a venda de uma caixa de ovos brancos, o produtor conseguiu adquirir 80,27 quilos do derivado. Já no caso dos ovos vermelhos, o volume alcançou 90,40 quilos.
Assim, a recuperação recente das cotações contribuiu para melhorar, ao menos parcialmente, a relação entre receita e custos na atividade.






























