As exportações de proteína do Brasil mantiveram ritmo de crescimento no primeiro trimestre de 2026, impulsionadas pela demanda internacional e por um cenário global de oferta restrita. Dados da balança comercial mostram avanço nas vendas externas de carne bovina, suína e de frango, consolidando a tendência observada ao longo de 2025.
No período, os embarques de carne bovina cresceram 20% na comparação anual. O frango também avançou 5%, apesar das expectativas de desaceleração. Já a carne suína registrou alta de 15%. Para analistas do Bank of America, esse desempenho reforça o papel do Brasil como fornecedor estratégico de proteína animal.
Crescimento das exportações de proteína do Brasil no trimestre
Além do avanço geral, o país se beneficiou de um cenário internacional mais restrito. Isso ocorre porque a oferta global de proteína segue limitada, enquanto a demanda permanece firme.
Nesse contexto, o Brasil amplia sua participação no comércio internacional. Como resultado, os frigoríficos nacionais ganham espaço em mercados relevantes.
Março traz oscilações nos embarques
Apesar do resultado positivo no trimestre, março apresentou variações entre os segmentos. Segundo o Bradesco BBI, a redução das exportações para Estados Unidos e China pressionou parte dos volumes.
A carne bovina recuou 6% na comparação anual. O frango caiu 8% no mesmo período. Por outro lado, a carne suína atingiu nível recorde para o mês, com alta de 11%.
Preços do gado sobem e custos seguem pressionando
Os preços do gado no Brasil subiram 5,8% em relação ao ano anterior. Na comparação com o trimestre anterior, o avanço foi de 6,3%.
Ao mesmo tempo, os custos de produção no segmento de aves permaneceram estáveis. A ração, que representa cerca de 63% do custo total, caiu 9% no período. Ainda assim, os níveis seguem elevados e continuam pressionando as margens.
Margens e spreads mostram sinais de pressão
O setor enfrenta desafios nas margens, principalmente no segmento de aves. O chamado “spread” — diferença entre custo e preço de venda — segue mais apertado.
Nos Estados Unidos, as margens da carne bovina melhoraram. No entanto, analistas consideram esse movimento pontual. A paralisação de uma planta industrial contribuiu para esse cenário temporário.
Enquanto isso, o mercado de aves apresenta recuperação mais lenta. Esse ritmo abaixo do padrão histórico reforça sinais de desaceleração.
JBS lidera preferência entre analistas
Entre as empresas do setor, a JBS segue como principal destaque. A diversificação geográfica e entre proteínas sustenta essa posição.
O Itaú BBA mantém recomendação positiva para a companhia. Além disso, o banco vê potencial na Minerva. Já a Marfrig permanece com avaliação neutra.
Exportações funcionam como amortecedor do setor
As exportações seguem como um fator de equilíbrio para o setor. Em outras palavras, ajudam a compensar oscilações do mercado interno.
No caso das aves, por exemplo, o aumento da produção encontra espaço no mercado externo. Dessa forma, os frigoríficos evitam excesso de oferta no Brasil.
China e cenário global influenciam preços
A demanda chinesa continua como um dos principais motores do mercado. Com isso, os preços do gado no Brasil mantêm trajetória de alta.
Ademais, exportadores aceleram os embarques para cumprir cotas comerciais. Nesse ritmo, analistas projetam que a cota chinesa será preenchida até meados de 2026.
Por fim, tensões geopolíticas envolvendo os Estados Unidos podem gerar efeitos indiretos. Entre eles, destaca-se o redirecionamento de oferta global para mercados como o Brasil.






























