A inflação desacelerou na terceira quadrissemana de maio, enquanto a confiança do consumidor recuou levemente e o mercado financeiro elevou novamente as projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026. Os dados divulgados nesta segunda-feira (25) pela Fundação Getulio Vargas e pelo Banco Central do Brasil mostram um cenário de acomodação da atividade econômica, combinado com preocupação persistente em relação aos preços e aos juros nos próximos anos.
O Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), calculado pela FGV, desacelerou de 0,66% para 0,65% na terceira leitura de maio. Apesar da perda de ritmo, o indicador acumula alta de 4,16% em 12 meses. A redução foi influenciada principalmente pela queda nos preços dos combustíveis e de itens ligados ao transporte.
A gasolina registrou retração de 1,39%, enquanto o etanol caiu 5,42%. Também contribuíram para aliviar o índice o recuo do café em pó, do transporte por aplicativo e dos desodorantes.
Por outro lado, alguns produtos e serviços continuaram pressionando o orçamento das famílias. A tarifa de energia elétrica residencial acelerou para 3,14%, e alimentos como batata-inglesa e tomate tiveram aumentos expressivos no período. O leite longa vida, embora ainda em alta, apresentou desaceleração.
Confiança do consumidor recua após duas altas
Em paralelo, o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) caiu 0,3 ponto em maio, para 88,8 pontos, interrompendo dois meses consecutivos de avanço. O levantamento foi divulgado pelo Instituto Brasileiro de Economia da FGV (Ibre/FGV).
Segundo a economista Anna Carolina Gouveia, a queda reflete uma revisão mais cautelosa das expectativas para os próximos meses, embora a percepção sobre a situação atual da economia siga relativamente positiva.
O Índice de Situação Atual, que mede a avaliação do presente, subiu para 86,1 pontos, maior nível desde dezembro de 2014. Já o Índice de Expectativas recuou para 91,3 pontos.
A piora nas perspectivas foi mais intensa entre consumidores com renda mensal de até R$ 4,8 mil, grupo considerado mais sensível às incertezas econômicas e à pressão inflacionária.
Entre os componentes analisados, houve redução da confiança em relação à situação econômica futura do País e às finanças das famílias. Em contrapartida, aumentou a intenção de compra de bens duráveis, como eletrodomésticos e veículos.
Mercado eleva projeção para inflação de 2026
As preocupações com a inflação também apareceram no boletim Focus, relatório semanal do Banco Central que reúne estimativas de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos.
O mercado elevou a projeção do IPCA de 2026 de 4,92% para 5,04%. Foi a 11ª alta consecutiva da estimativa. Para 2027, a previsão avançou levemente para 4,01%.
Ao mesmo tempo, os analistas reduziram a expectativa para o dólar em 2026, de R$ 5,20 para R$ 5,17. A projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) do próximo ano subiu de 1,85% para 1,89%.
A estimativa para a taxa básica de juros, a Selic, foi mantida em 13,25% ao ano para 2026. A taxa é usada pelo Banco Central para controlar a inflação e influencia diretamente o custo do crédito, dos financiamentos e dos investimentos no País.
Cenário combina inflação resistente e consumo moderado
Os indicadores divulgados nesta segunda-feira reforçam a percepção de que a economia brasileira atravessa um período de desaceleração gradual da inflação, mas ainda sob pressão em segmentos importantes, especialmente alimentação e serviços.
Ao mesmo tempo, o comportamento do consumidor mostra cautela diante das incertezas econômicas e do nível elevado dos juros. Para analistas, a combinação entre inflação resistente e crescimento moderado deve continuar influenciando as decisões do Banco Central nos próximos meses.





























