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Home Investimentos

Como o El Niño afeta o seguro residencial

Thaffarel Goncalves Por: Thaffarel Goncalves
06/08/2026
em Investimentos
0
El Niño e seguro residencial

Consumidor analisando contrato de seguro residencial. (Foto: Ilustração)

A intensificação do El Niño pode aumentar a probabilidade de eventos climáticos extremos em diferentes regiões do Brasil. Embora o fenômeno não provoque diretamente enchentes ou tempestades, ele altera os padrões de chuva e temperatura. Como resultado, algumas localidades ficam mais expostas a ocorrências severas.

Esse cenário exige maior atenção dos proprietários de imóveis. Especialistas recomendam revisar a apólice do seguro residencial para verificar se a cobertura contratada atende aos riscos característicos da região onde o imóvel está localizado.

Segundo Pedro Luiz Valls, pesquisador do Centro de Estudos em Riscos Climáticos e Resiliência da Fundação Getulio Vargas (FGV), os impactos do El Niño variam conforme a intensidade do fenômeno e as condições climáticas de cada região. Em geral, há maior probabilidade de estiagens no Norte e em parte do Nordeste. No Sul, por outro lado, aumentam as chances de chuvas intensas.

Na prática, isso amplia a exposição dos imóveis a enchentes, alagamentos, vendavais, destelhamentos, queda de árvores, danos elétricos e, em áreas de encosta, deslizamentos de terra e desmoronamentos.

Cobertura do seguro depende da apólice

A contratação de um seguro residencial não garante proteção automática contra todos os danos provocados por eventos climáticos extremos.

Normalmente, a cobertura básica contempla riscos como incêndio, queda de raio e explosão. Já prejuízos causados por enchentes, alagamentos, granizo, vendavais, danos elétricos e desmoronamentos costumam depender de coberturas adicionais. Também podem estar sujeitos a condições específicas previstas na apólice, documento que reúne as regras do contrato.

Segundo Valls, muitas pessoas acreditam que enchentes fazem parte da cobertura padrão. No entanto, isso nem sempre acontece. Por esse motivo, o pesquisador recomenda analisar cuidadosamente as cláusulas da apólice antes da contratação ou da renovação do seguro.

Cristiane Junqueiro, head interina de Novos Negócios da Simple2u, afirma que a cobertura para alagamentos está disponível no mercado por meio de módulos adicionais. Ela ressalta, porém, que podem existir diferenças entre as seguradoras. As principais variações envolvem a cobertura para desmoronamentos e movimentação de solo.

Na avaliação da executiva, um dos maiores desafios do setor ainda é conscientizar os consumidores. Muitas pessoas desconhecem quais coberturas contratar de acordo com os riscos da região onde vivem.

Eventos extremos elevam o valor das indenizações

O aumento da intensidade das tempestades também tende a elevar os custos do mercado segurador.

De acordo com Junqueiro, chuvas concentradas costumam provocar danos mais extensos aos imóveis. Consequentemente, as indenizações também ficam mais elevadas.

Um exemplo ocorreu durante as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024. Dados da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) mostram que os pedidos de indenização ultrapassaram R$ 6 bilhões. Nos seguros residencial e habitacional, foram registradas cerca de 29,7 mil solicitações.

Segundo Valls, esses números não devem ser atribuídos exclusivamente ao El Niño. Ainda assim, eles demonstram o impacto financeiro que eventos climáticos extremos podem gerar para seguradoras e consumidores.

Mudanças climáticas podem alterar preços e condições

O aumento da frequência de eventos extremos também influencia a forma como as seguradoras avaliam os riscos.

Quando uma região registra mais enchentes, tempestades ou deslizamentos, as empresas podem revisar seus modelos atuariais. Essa metodologia estima a probabilidade de perdas futuras. Além disso, serve como base para calcular o preço dos seguros.

Essa reavaliação pode provocar mudanças graduais nas apólices. Entre elas estão ajustes no prêmio, nome dado ao valor pago pelo segurado para contratar a proteção. Também podem ocorrer alterações na franquia, quantia que permanece sob responsabilidade do cliente em caso de sinistro. Os limites de cobertura e os critérios de aceitação de risco também podem ser revistos.

Segundo Junqueiro, essas mudanças normalmente não ocorrem logo após um evento climático isolado. As seguradoras costumam incorporar novos dados ao longo do tempo. Depois disso, atualizam seus modelos de precificação.

Para Valls, regiões que apresentam risco crescente e poucos investimentos em drenagem, infraestrutura e prevenção podem enfrentar dificuldades maiores. Nesses locais, o seguro pode ficar mais caro ou até menos disponível.

Seguradoras reforçam estrutura diante de grandes desastres

Eventos climáticos severos também representam desafios operacionais para o setor.

Isso acontece porque um único fenômeno pode provocar milhares de ocorrências simultaneamente. Como consequência, cresce a demanda por atendimento e pagamento de indenizações em um curto período.

Para enfrentar esse cenário, as seguradoras mantêm provisões técnicas, contratam resseguro e utilizam modelos específicos para catástrofes. O resseguro funciona como um seguro para as próprias seguradoras. Nesse sistema, parte do risco é compartilhada com outras empresas.

Após grandes desastres, também é comum ampliar as equipes de regulação de sinistros. Nessa etapa, a seguradora verifica as circunstâncias do dano. Em seguida, confirma se existe cobertura prevista na apólice. Por fim, calcula o valor da indenização.

As empresas também costumam reforçar os canais digitais de atendimento e priorizar os casos considerados mais urgentes.

Revisar a apólice pode evitar prejuízos

Diante do aumento dos eventos climáticos extremos, especialistas recomendam revisar periodicamente o seguro residencial.

A análise permite identificar quais riscos já estão cobertos. Também ajuda a verificar se há necessidade de contratar proteções adicionais. Dessa forma, o consumidor reduz a possibilidade de descobrir apenas após um sinistro que determinados prejuízos não estavam incluídos na apólice.

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