O Ibovespa hoje dispara na primeira sessão após o primeiro turno das eleições, enquanto os juros futuros recuam com força. Às 10h18, o principal índice da Bolsa brasileira subia 7,47%, aos 206.458,68 pontos. Ao mesmo tempo, o dólar à vista caía 4,53%, cotado a R$ 4,9800. Já o índice DXY, que mede o desempenho da moeda americana diante de uma cesta de divisas, avançava 0,34%, aos 101,269 pontos.
O movimento ocorre em meio à reação dos investidores ao resultado eleitoral e à perspectiva para o segundo turno. Nesse cenário, o mercado também ajusta as expectativas para juros, inflação, câmbio e atividade econômica.
Eleições mudam percepção do mercado
De acordo com os dados apresentados nas fontes, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) obteve 45,16%. Os dois candidatos avançaram para o segundo turno, marcado para 25 de outubro.
Enquanto os candidatos articulam os próximos passos da campanha, investidores avaliam o possível impacto de cada resultado sobre a política econômica. Por isso, a definição eleitoral passou a ocupar posição central na formação dos preços dos ativos brasileiros.
O desempenho também alcança o mercado de juros. Os contratos de Depósitos Interfinanceiros (DI), usados como referência para as expectativas de juros futuros, abriram a sessão com quedas expressivas.
Às 9h37, o DI com vencimento em janeiro de 2028 era negociado a 12,735% ao ano, ante 13,509% no fechamento anterior. Portanto, a taxa recuava 77 pontos-base. Um ponto-base corresponde a 0,01 ponto percentual.
Nos contratos mais longos, a movimentação era ainda maior. O DI para janeiro de 2035 caía de 14,131% para 13,16% ao ano, uma redução de 97 pontos-base.
Juros futuros refletem expectativa eleitoral
A queda mais intensa nos vencimentos longos indica uma mudança relevante na percepção sobre a trajetória da política fiscal. Em outras palavras, o mercado está recalculando quanto o próximo governo poderá afetar as contas públicas e, consequentemente, os juros.
Nesse momento, profissionais do mercado avaliam que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro poderia favorecer uma percepção mais positiva sobre o ajuste fiscal, embora ainda existam dúvidas sobre os detalhes de um eventual programa econômico.
Por outro lado, o governo de Lula enfrenta maior desconfiança entre investidores em relação à condução das contas públicas. Assim, a diferença observada nas pesquisas e no resultado do primeiro turno provocou forte reprecificação dos ativos.
Os contratos mais curtos também recuaram. Isso ocorre porque os investidores passaram a considerar maiores as chances de redução da taxa Selic na reunião de novembro. Dependendo do resultado do segundo turno, algumas projeções passaram a incorporar até mesmo a possibilidade de um corte de 0,50 ponto percentual.
Focus volta a elevar projeção de inflação
As expectativas para a inflação, entretanto, continuam exigindo atenção. Segundo o relatório Focus, a projeção para o IPCA de 2026 subiu pela terceira vez consecutiva, de 4,99% para 5,01%.
Para 2027, a estimativa recuou de 4,31% para 4,30%. Já as projeções para 2028 permaneceram em 3,80%, enquanto a previsão para 2029 avançou de 3,50% para 3,51%.
Além disso, o mercado reduziu levemente as estimativas para o crescimento econômico. A projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2026 passou de 1,86% para 1,85%. Para 2027, caiu de 1,41% para 1,40%.
As previsões para 2028 também foram revisadas, de 1,83% para 1,81%. Em 2029, por sua vez, a estimativa permaneceu em 2%.
No caso da Selic, a expectativa continua em 13,50% para 2026, 12% para 2027, 10,50% para 2028 e 10% para 2029.
Para o câmbio, o Focus manteve a projeção do dólar em R$ 5,20 para 2026, R$ 5,28 para 2027 e R$ 5,30 para 2028. Em 2029, entretanto, a previsão caiu de R$ 5,35 para R$ 5,33.
Inflação e atividade seguem no radar
Além das projeções do Focus, os investidores aguardam novos indicadores de inflação. O IPCA de setembro está previsto para ser divulgado na sexta-feira, dia 9.
Antes disso, o IPCA-15 apresentou alta de 0,70%, com influência de itens como energia, alimentos e serviços. Dessa forma, os próximos números de inflação poderão ajudar a definir a percepção sobre o espaço para futuros cortes de juros.
Ao mesmo tempo, o comportamento da atividade econômica continuará sendo acompanhado. Uma desaceleração mais forte poderia favorecer uma política monetária menos restritiva. Ainda assim, a trajetória das contas públicas permanece como um fator importante para essa decisão.
Congresso também entra no cálculo
O resultado das eleições para o Congresso acrescenta outro elemento à avaliação dos investidores. Segundo as informações apresentadas pelas fontes, o campo político ligado ao bolsonarismo foi o principal vencedor da disputa para o Senado.
Dos 81 assentos da Casa, 54 estavam em disputa. O PL, que atualmente possui 15 senadores, elegeu 19 nomes e poderá chegar a 28 representantes em 2027.
Entre os eleitos estão Michelle Bolsonaro (PL-DF) e Carlos Bolsonaro (PL-SC). Assim, a nova composição do Congresso poderá influenciar a capacidade do próximo governo de aprovar medidas econômicas e fiscais.
Petróleo limita parte do movimento
No mercado internacional, o petróleo operava em baixa. O contrato do Brent para dezembro recuava 0,43%, a US$ 101,81 por barril. Enquanto isso, o WTI para novembro caía 1,84%, a US$ 89,43.
A pressão ocorre em meio às discussões do G7 sobre a liberação de reservas estratégicas de diesel e petróleo. Ademais, as negociações entre Estados Unidos e Irã não apresentavam avanços relevantes.
Portanto, embora o cenário eleitoral brasileiro tenha provocado forte valorização dos ativos locais, o ambiente externo continua adicionando riscos ao mercado.





























