O consumo de eletricidade residencial bateu recorde em agosto de 2026, segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE). No mês, o consumo das residências chegou a 14.953 GWh, alta de 6,9% ante agosto de 2025. Com isso, o consumo médio residencial atingiu 181,8 kWh por mês, maior nível da série histórica da EPE, iniciada em 2004.
No mercado nacional, o consumo de eletricidade alcançou 47.856 GWh em agosto. Assim, houve crescimento de 4,3% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Foi o quinto mês consecutivo de alta na comparação anual.
Segundo a EPE, as temperaturas mais elevadas favoreceram o aumento do uso de aparelhos de climatização. O fortalecimento do El Niño contribuiu para esse cenário. Além disso, a melhora das condições de emprego e renda e a menor pressão das tarifas também ajudaram a sustentar o consumo.
Calor aumenta consumo de eletricidade residencial
O avanço do consumo de eletricidade residencial ocorreu em um ambiente de temperaturas mais altas que as registradas em agosto de 2025. Por causa desse cenário, aumentou a utilização de aparelhos como condicionadores de ar e ventiladores.
A comparação com agosto do ano passado também considera a diferença nas bandeiras tarifárias. Naquele mês, estava em vigor a bandeira vermelha patamar 2, enquanto agosto de 2026 teve bandeira amarela.
Dessa forma, a pressão sobre a conta de luz foi menor em 2026. A bandeira amarela acrescentava R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos, enquanto a bandeira vermelha representava um custo adicional maior.
No acumulado de 12 meses até agosto, o consumo nacional chegou a 574.174 GWh. Nesse intervalo, a alta foi de 1,4%.
Consumo comercial também acelera
O consumo de eletricidade no setor comercial chegou a 8.717 GWh em agosto, alta de 9,4% em relação ao mesmo mês de 2025. Com esse resultado, o segmento registrou sua maior taxa de crescimento desde fevereiro de 2024.
A expansão ocorreu em meio ao avanço das atividades de comércio e serviços. Ao mesmo tempo, as temperaturas mais elevadas e a menor pressão das tarifas contribuíram para o aumento do consumo.
O setor industrial, por sua vez, consumiu 17.164 GWh em agosto. Apesar do avanço mais moderado, o volume foi o segundo maior da série histórica, atrás apenas de agosto de 2024.
Na comparação anual, o consumo industrial cresceu 0,2%. Entre os segmentos de maior uso de eletricidade, os produtos alimentícios e a extração de minerais metálicos apresentaram crescimento. Por outro lado, os setores têxtil, de borracha e plástico e de minerais não metálicos registraram retração.
Bandeira verde reduz pressão sobre a conta de luz
Em outubro de 2026, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) voltou a adotar a bandeira verde. Com a mudança, não haverá cobrança adicional na conta de luz relacionada ao sistema de bandeiras tarifárias.
A decisão ocorreu depois de cinco meses de bandeira amarela. Segundo a Aneel, o aumento das chuvas, especialmente nas regiões Sul e Sudeste, ajudou a recuperar os níveis dos reservatórios das hidrelétricas.
Como consequência, diminuiu a necessidade de acionar usinas termelétricas, que apresentam custos de geração mais elevados.
Criado pela Aneel em 2015, o sistema de bandeiras tarifárias sinaliza ao consumidor as condições de custo da geração de energia. Na bandeira verde, não há cobrança adicional. Já as bandeiras amarela e vermelha acrescentam valores à conta conforme o custo projetado de geração.
O valor final pago pelo consumidor, entretanto, também depende da tarifa de cada distribuidora. De acordo com o ranking nacional da Aneel, a tarifa média era de R$ 0,839 por kWh, sem considerar impostos, encargos e adicionais.
Centro-Oeste lidera alta do consumo residencial
Todas as regiões brasileiras registraram aumento no consumo total de eletricidade em agosto. O maior avanço ocorreu no Centro-Oeste, com alta de 8,8%.
Na sequência, apareceram Sul, com 4,9%, Nordeste, com 4,8%, Norte, com 3,8%, e Sudeste, com 3,1%.
No segmento residencial, o Centro-Oeste também apresentou o maior crescimento, de 17,2%. O Norte veio em seguida, com 12,4%. Já o Sudeste teve alta de 5,4%, enquanto Nordeste e Sul avançaram 5%.
Entre os estados, 13 registraram crescimento de dois dígitos no consumo residencial. Mato Grosso do Sul liderou o ranking, com alta de 26%, seguido por Mato Grosso, com 25,3%, e Acre, com 20,5%.
Espírito Santo, com 18,3%, e Amazonas, com 16,7%, também apresentaram crescimento expressivo. Em sentido contrário, houve queda no Rio Grande do Sul, de 4%, no Distrito Federal, de 1,5%, e em Pernambuco, de 0,5%.
Comércio cresce em todas as regiões, com exceção de um estado
O consumo comercial avançou em todas as regiões brasileiras. O Sul apresentou a maior alta, de 14,2%, seguido pelo Centro-Oeste, com 10,9%.
Na sequência, apareceram Sudeste, com crescimento de 9,2%, Norte, com 8,9%, e Nordeste, com 4,1%.
Entre os estados, Mato Grosso do Sul registrou a maior expansão, de 25,1%. Santa Catarina cresceu 20,3%, enquanto Paraná avançou 15,1%.
Mato Grosso teve alta de 14,8% e Espírito Santo, de 13,1%. Apenas o Rio Grande do Norte apresentou queda, de 1,4%.
Indústria tem resultados diferentes entre os estados
O consumo industrial apresentou comportamento desigual entre as regiões. Enquanto o Norte registrou queda de 4,8%, as demais regiões tiveram crescimento.
O Sul avançou 2,2%, seguido pelo Nordeste, com 1,4%. Já o Centro-Oeste cresceu 0,2%, enquanto o Sudeste teve alta de 0,1%.
Entre os estados, o Amapá apresentou o maior crescimento do consumo industrial, de 58,7%. No extremo oposto, Alagoas registrou queda de 25,3%.
Segundo os dados da EPE, o resultado de Alagoas foi influenciado pela paralisação de uma unidade de cloro-soda no Nordeste desde outubro de 2025.





























