A Axia Energia (AXIA3) registrou lucro líquido ajustado de R$ 1,759 bilhão no terceiro trimestre de 2026 (3T26), uma queda de 19,1% em relação aos R$ 2,176 bilhões do mesmo período de 2025. Apesar do recuo trimestral, a companhia acumulou lucro ajustado de R$ 7,071 bilhões entre janeiro e setembro, alta de 98,3% na comparação anual.
O Ebitda regulatório ajustado, indicador que mede o resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização, alcançou R$ 6,915 bilhões. O resultado representa um avanço de 8,4% em relação ao terceiro trimestre do ano passado.
Segundo a empresa, o crescimento refletiu principalmente as margens maiores nas atividades de geração e transmissão. Além disso, a companhia reduziu despesas operacionais e melhorou os resultados de suas participações societárias.
Já o lucro líquido contábil, calculado conforme as normas internacionais de contabilidade (IFRS), somou R$ 1,113 bilhão no trimestre. Em contrapartida, a Axia havia registrado prejuízo de R$ 5,448 bilhões no mesmo período de 2025. No acumulado dos nove primeiros meses, o resultado contábil passou de um prejuízo de R$ 7,127 bilhões para lucro de R$ 4,934 bilhões.
Receita e margens operacionais
A receita operacional líquida ajustada totalizou R$ 10,037 bilhões no terceiro trimestre, praticamente o mesmo valor do período correspondente de 2025. Entretanto, na comparação com o segundo trimestre de 2026, a receita recuou 10,3%.
Apesar da estabilidade da receita, a companhia ampliou suas margens operacionais. Na geração de energia, por exemplo, a margem de contribuição avançou 9,1%, para R$ 3,071 bilhões. Ademais, as operações no Ambiente de Contratação Livre (ACL) e no Mercado de Curto Prazo (MCP) elevaram sua contribuição em 10,6%, para R$ 1,754 bilhão.
No ACL, ambiente em que consumidores e geradores negociam energia diretamente, o preço médio de comercialização subiu 18,6%, para R$ 195,60 por megawatt-hora (MWh). Esse movimento, somado à disponibilidade das usinas e à modulação da geração conforme os períodos de consumo, contribuiu para o desempenho do segmento.
Na transmissão, por sua vez, a margem de contribuição cresceu 8,3%, para R$ 4,533 bilhões. A Receita Anual Permitida (RAP), valor que remunera as empresas pela disponibilidade de suas instalações de transmissão, aumentou de R$ 4,134 bilhões para R$ 4,451 bilhões. Ao mesmo tempo, a redução dos descontos relacionados à Parcela de Ajuste favoreceu o resultado.
A Axia também reconheceu uma reversão de R$ 109 milhões em ativos e passivos regulatórios. Esse lançamento, contudo, não gerou efeito sobre o caixa da companhia.
Geração de energia e transmissão
A geração líquida de energia alcançou 27,8 terawatts-hora (TWh) no trimestre, alta de 13,5% em relação ao mesmo período de 2025. Com esse resultado, a Axia encerrou setembro com capacidade instalada de 44.430 megawatts (MW), distribuída por 81 usinas.
A estrutura reúne 47 hidrelétricas, 33 parques eólicos e uma usina solar. Dessa forma, a companhia mantém uma matriz composta por fontes que considera limpas e de baixa emissão de carbono.
Na transmissão, a empresa contabilizou 72.090 quilômetros de linhas e 422 subestações. O total de linhas, entretanto, ficou abaixo dos 74.769 quilômetros registrados um ano antes.
Despesas operacionais e investimentos
A Axia reduziu em 9,9% as despesas regulatórias ajustadas com pessoal, materiais, serviços e outros (PMSO), que somaram R$ 1,385 bilhão. Pelo critério contábil ajustado, a queda chegou a 10,4%, com despesas de R$ 1,381 bilhão.
A companhia atribuiu a redução principalmente à diminuição dos gastos com pessoal e serviços. Além disso, a capitalização de custos relacionados a projetos contribuiu para o resultado.
Os investimentos, por outro lado, cresceram no período. A Axia aplicou R$ 2,855 bilhões no terceiro trimestre, alta de 5,7% em relação ao mesmo intervalo de 2025. No acumulado de janeiro a setembro, os aportes alcançaram R$ 7,327 bilhões, avanço de 27,7%.
A transmissão concentrou R$ 2,006 bilhões dos investimentos trimestrais. Desse total, a empresa destinou R$ 681 milhões a expansões e R$ 1,272 bilhão a reforços e melhorias da rede.
Além desses aportes, a companhia informou que mantém 269 grandes projetos de transmissão em andamento ou no planejamento. Essas iniciativas poderão acrescentar aproximadamente R$ 2 bilhões à Receita Anual Permitida entre 2026 e 2030. Para executar os projetos, a Axia estima investir R$ 15,2 bilhões.
A empresa também contabiliza 7.042 iniciativas menores em implementação ou planejamento.
Endividamento e captação de recursos
A dívida líquida ajustada da Axia alcançou R$ 47,568 bilhões em setembro de 2026, alta de 11,7% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Apesar do aumento da dívida, a alavancagem, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda, caiu de 2,1 para 2,0 vezes.
O prazo médio da dívida também aumentou, de 55,5 para 56,3 meses. Ao mesmo tempo, o custo médio recuou de CDI mais 0,64% para CDI mais 0,19%.
Entre julho e outubro, a companhia captou R$ 14,3 bilhões. As operações incluíram R$ 6,6 bilhões em debêntures, além de transações bancárias e refinanciamentos.
Em setembro, a Axia contratou ainda R$ 1,9 bilhão em financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com prazo de 20 anos. Desse montante, a empresa destinou R$ 1,4 bilhão ao parque eólico Coxilha Negra. Os R$ 500 milhões restantes vieram do Fundo Clima.
Distribuição de recursos aos acionistas
O conselho de administração aprovou a destinação de até R$ 4 bilhões aos acionistas, referentes a uma parcela dos resultados do segundo semestre. Esse valor poderá se somar aos até R$ 7,7 bilhões que a empresa já havia aprovado com base nos resultados do primeiro semestre.
Com isso, a distribuição potencial aos acionistas em 2026 chega a R$ 11,7 bilhões. Em novembro, ainda restavam R$ 515 milhões para alocação, conforme as informações divulgadas pela companhia.
Outro movimento envolveu as ações preferenciais da Axia. Em outubro, a empresa iniciou uma operação de resgate ou conversão desses papéis, no valor de R$ 3,48 bilhões. A companhia previa pagar o resgate em 6 de novembro.
Ao longo do ano, os acionistas resgataram 32,54% das ações preferenciais da classe PNC. Ademais, converteram 24,53% desses papéis em ações ordinárias.
Indicadores ambientais e sociais
No campo ambiental, a Axia registrou emissões de gases de efeito estufa dos escopos 1, 2 e 3 de 487.925 toneladas de dióxido de carbono equivalente (tCO₂e) nos nove primeiros meses de 2026. O volume representa uma queda de 61% em relação ao período comparável.
A companhia atribuiu a redução principalmente à retirada da geração termelétrica a carvão de seu portfólio. Por outro lado, os indicadores sociais apontaram aumento na frequência de acidentes entre empregados próprios. Já a participação feminina em cargos de liderança permaneceu estável.





























