As taxas de juros elevadas são o principal obstáculo enfrentado pelas empresas industriais na contratação ou renovação de crédito. Segundo a Sondagem Especial nº 107 — Condições de Acesso ao Crédito em 2026, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), 76% das empresas com dificuldades para obter financiamentos de curto e médio prazo apontaram os juros altos como uma das barreiras. No crédito de longo prazo, a proporção ficou próxima de 69%.
Além dos custos financeiros, as empresas enfrentam dificuldades relacionadas às exigências das instituições financeiras, à apresentação de garantias e à burocracia dos processos. Dessa forma, mesmo quando há demanda por recursos, o acesso ao financiamento continua sendo um desafio para parte do setor industrial.
Garantias e burocracia também dificultam financiamentos
Embora os juros apareçam como a principal barreira, outros fatores também limitam a contratação de crédito. Entre eles estão as exigências para a concessão dos recursos, especialmente a necessidade de apresentar garantias e cumprir procedimentos burocráticos.
Nesse contexto, as condições impostas pelas instituições financeiras podem dificultar a aprovação dos pedidos. Consequentemente, empresas que precisam de recursos para manter as operações ou ampliar a produção nem sempre conseguem contratar os financiamentos desejados.
Quase uma em cada quatro empresas não consegue crédito
As dificuldades também aparecem nos resultados das solicitações de financiamento. De acordo com a pesquisa da CNI, 24,7% das empresas que buscaram crédito de curto e médio prazo não conseguiram os recursos. No caso dos financiamentos de longo prazo, o percentual foi ainda maior, chegando a 37,2%.
Além disso, os resultados indicam que pequenas e médias empresas enfrentam taxas mais elevadas de insucesso na obtenção de crédito. Esse cenário pode restringir a capacidade de investimento e dificultar o planejamento financeiro desses negócios.
Por outro lado, a dificuldade de acesso ao financiamento não se limita à contratação de novos empréstimos. A renovação de operações existentes também pode ser afetada pelas condições de mercado e pelos critérios adotados pelas instituições financeiras.
Capital de giro concentra a demanda por crédito
A necessidade de manter as atividades diárias é um dos principais motivos que levam as empresas industriais a buscar financiamento. Segundo o levantamento, quase 60% da demanda por crédito de curto e médio prazo está relacionada ao capital de giro, utilizado para cobrir despesas operacionais e manter o funcionamento das empresas.
Já no crédito de longo prazo, o capital de giro correspondeu a 28,7% da demanda. Nesse caso, as empresas também procuram recursos para necessidades financeiras que exigem prazos maiores de pagamento.
Assim, os dados mostram que o crédito exerce um papel importante tanto na manutenção das operações quanto no planejamento financeiro das indústrias. Entretanto, quando os custos são elevados ou as exigências dificultam a aprovação, as empresas podem ter menos condições de financiar suas atividades.
Indústria pede redução de custos e ampliação do crédito
Diante dessas dificuldades, as empresas apontam medidas que poderiam facilitar o acesso aos financiamentos. Entre as demandas estão a redução dos custos tributários e administrativos, a ampliação das linhas de crédito públicas e a simplificação das exigências para a concessão de recursos.
No crédito de curto e médio prazo, 38,4% das empresas apontaram a redução dos custos tributários e administrativos como uma medida relevante. Ademais, 22,8% defenderam a ampliação das linhas públicas de financiamento, enquanto 21,1% indicaram a simplificação das exigências.
Para o crédito de longo prazo, a redução dos custos tributários e administrativos foi mencionada por 31,2% das empresas. Ao mesmo tempo, 26,3% apontaram a ampliação das linhas públicas, e 22,1% defenderam a simplificação dos procedimentos.
Os resultados indicam, portanto, que as empresas buscam não apenas juros menores, mas também condições que tornem o processo de financiamento menos oneroso e burocrático.
Selic permanece como fator de pressão sobre o crédito
O custo do financiamento também está relacionado à política monetária. A taxa básica de juros, a Selic, começou 2026 em 15% ao ano e chegou a 13,75%, conforme as informações apresentadas no levantamento.
Apesar da redução, os juros ainda representam um fator de pressão sobre as condições de crédito enfrentadas pelas empresas. Isso porque o custo dos empréstimos influencia as decisões de financiamento e pode limitar a disposição dos negócios para assumir novas dívidas.
Nesse cenário, o acesso ao crédito continua sendo uma questão relevante para a indústria brasileira. Afinal, além de permitir o financiamento das despesas operacionais, os recursos podem ser utilizados para investimentos, modernização e expansão da capacidade produtiva.
Diante disso, a redução dos custos financeiros, a simplificação dos procedimentos e a ampliação das alternativas de financiamento aparecem entre os caminhos apontados pelas empresas para melhorar as condições de acesso ao crédito.





























