O governo central registrou déficit primário de R$ 13,585 bilhões em agosto, informou o Tesouro Nacional na terça-feira. O resultado reúne as contas do Tesouro Nacional, do Banco Central e do Regime Geral da Previdência Social. Além disso, o valor ficou abaixo do déficit de R$ 15,540 bilhões registrado no mesmo mês de 2025.
O resultado também veio melhor que a expectativa de analistas consultados pela Reuters, que projetavam déficit de R$ 14,400 bilhões para agosto.
Em julho, o governo central havia registrado superávit primário de R$ 10,803 bilhões em valores correntes. Quando considerada a inflação, o resultado daquele mês foi de R$ 10,769 bilhões.
Receitas e despesas
Em agosto, a receita líquida do governo central somou R$ 187,878 bilhões. Em termos reais, ou seja, descontada a inflação, houve alta de 3,5% em relação a agosto do ano anterior.
As despesas totais, por sua vez, chegaram a R$ 201,463 bilhões. Apesar do aumento das receitas, os gastos também cresceram, com alta real de 1,9% na comparação anual.
O déficit primário representa o resultado das contas públicas antes do pagamento dos juros da dívida. Na prática, o indicador permite verificar a diferença entre as receitas e as despesas do governo em determinado período, sem considerar o custo financeiro da dívida.
No acumulado de janeiro a agosto, o governo central registrou déficit primário de R$ 94,869 bilhões. O resultado representa uma alta real de 7,1% em relação ao déficit de R$ 85,888 bilhões observado no mesmo período do ano anterior.
Petróleo pode afetar resultado fiscal
Durante entrevista coletiva, representantes do Tesouro também trataram dos possíveis efeitos da crise envolvendo o petróleo, em meio à guerra no Oriente Médio.
Segundo os técnicos, uma eventual alta dos preços do petróleo pode aumentar determinadas receitas do governo. Por outro lado, medidas destinadas a reduzir o impacto da valorização dos combustíveis sobre os consumidores podem elevar as despesas públicas.
Dessa forma, os efeitos da crise sobre as contas do governo dependem tanto do comportamento dos preços internacionais do petróleo quanto das medidas adotadas para lidar com suas consequências.
O secretário do Tesouro, Daniel Cardoso Leal, afirmou que o governo espera obter R$ 67,5 bilhões em receitas adicionais ao longo do ano. Segundo ele, a estimativa considera os efeitos relacionados ao petróleo e medidas adotadas pelo governo.
Ao mesmo tempo, a equipe econômica projeta R$ 32,4 bilhões em despesas adicionais. Assim, de acordo com a estimativa apresentada pelo Tesouro, as receitas extras previstas superam os gastos adicionais projetados.
Com isso, o resultado de agosto passa a ser analisado em um cenário de pressão sobre as contas públicas, marcado pela evolução das receitas, das despesas e pelos possíveis efeitos das mudanças no mercado de petróleo.





























