A SLC Agrícola (SLCE3) projeta ampliar em 2,2% a área plantada na safra 2026/27, para 854,4 mil hectares. Ao mesmo tempo, a companhia estima aumento de 2,2% no custo médio de produção por hectare, para R$ 7.217. As projeções foram divulgadas na quarta-feira (7).
De acordo com a empresa, a expansão da área ocorrerá principalmente por causa do algodão de segunda safra. Além disso, o avanço da irrigação deve contribuir para o aumento do plantio. A companhia também prevê mudanças no mix de culturas para priorizar a rentabilidade, respeitando, porém, o sistema de rotação de culturas.
SLC Agrícola (SLCE3) aumenta área de soja e algodão
A soja continuará sendo a principal cultura da SLC Agrícola na safra 2026/27. Ao todo, a companhia prevê cultivar 442,1 mil hectares, considerando a produção comercial e de sementes. Assim, a cultura representará 51,7% da área total, com crescimento de 2,9% em relação à safra anterior.
Por sua vez, o algodão deverá ocupar 200,4 mil hectares, praticamente estável em relação ao ciclo anterior, com alta de 0,3%.
No entanto, haverá uma mudança relevante dentro da cultura. Enquanto o algodão de primeira safra deverá recuar 10,8%, para 92,2 mil hectares, o plantio de segunda safra deve crescer 12,2%, para 108,2 mil hectares.
Já o milho de segunda safra deverá ocupar 154,6 mil hectares. Nesse caso, a área representa uma queda de 2,3%.
Além dessas culturas, a SLC Agrícola prevê 57,3 mil hectares destinados a outras culturas e atividades. O número representa crescimento de 18,4%.
A companhia ressalta, contudo, que as condições climáticas podem alterar as projeções de plantio ao longo da safra.
Custos de produção devem subir em 2026/27
Apesar da expansão da área, a SLC Agrícola também espera custos maiores. O aumento projetado de 2,2% no custo médio por hectare está relacionado principalmente aos preços dos fertilizantes em dólar e à inflação estimada em 4%.
Por outro lado, a empresa prevê alguma compensação. Os preços dos defensivos agrícolas em dólar devem cair, enquanto a valorização do real também pode reduzir parte da pressão sobre os custos.
Para elaborar o orçamento da safra 2026/27, a companhia considerou uma taxa de câmbio de R$ 5,20 por dólar. No ciclo anterior, a referência utilizada havia sido de R$ 5,45.
Ademais, aproximadamente 57% dos custos de produção da SLC Agrícola são indexados ao dólar. Portanto, as oscilações da moeda podem ter impacto relevante sobre as despesas da companhia.
Veja os custos projetados por cultura
Entre as principais culturas, o milho de segunda safra deverá apresentar custo de R$ 4.510 por hectare. O valor representa alta de 3,8%.
Já o custo projetado para a soja é de R$ 5.292 por hectare, avanço de 2,1%.
No algodão, o custo da primeira safra deve chegar a R$ 14.102 por hectare, alta de 1,8%. Enquanto isso, o algodão de segunda safra terá custo estimado em R$ 13.088 por hectare, aumento de 1,9%.
Para comparar os custos, a SLC Agrícola ponderou os orçamentos de cada cultura de acordo com as áreas previstas para 2026/27. Dessa maneira, a empresa busca eliminar o efeito provocado pela mudança no mix de culturas.
Produtividade da SLC Agrícola também deve avançar
Além da área plantada, a companhia estima ganhos de produtividade em algumas culturas.
No caso da soja, a projeção é de 4.080 quilos por hectare. O número representa alta de 1,1% em relação ao orçamento da safra 2025/26.
Enquanto isso, a produtividade esperada para o milho de segunda safra é de 7.957 quilos por hectare. Assim, o indicador deve crescer 2,8%.
Portanto, mesmo diante da expectativa de custos maiores, a companhia projeta aumento de produtividade em culturas relevantes para suas operações.
SLC Agrícola amplia proteção contra oscilações de preços
A SLC Agrícola também já possui parte da produção protegida contra oscilações nos preços das commodities.
No caso da soja, 52,9% da produção está protegida a um preço médio de US$ 12,36 por bushel. Já no algodão, o percentual protegido chega a 62,2%, com preço médio de 79,14 centavos de dólar por libra-peso.
No milho, por sua vez, apenas 6,3% da produção está protegida. O preço médio considerado é de R$ 53,04 por saca na fazenda.
Esses preços têm como referência valores FOB no porto. Entretanto, ainda podem sofrer ajustes relacionados a frete e qualidade até chegar aos valores considerados nas unidades produtoras.
Além da proteção de preços, a companhia também possui contratos de proteção cambial. Na soja, 23,8% está protegido a R$ 5,3916 por dólar. No algodão, o percentual é de 23%, a R$ 5,7642. No milho, 6,3% está protegido a R$ 5,5083.
Companhia prevê produção de sementes e venda de gado
Para 2027, a SLC Agrícola prevê ainda a venda de 112,5 mil cabeças de gado.
Ao mesmo tempo, a companhia estima produzir 86.280 big bags de sementes. Desse total, 76 mil serão de soja, 6.280 de algodão e 4 mil de braquiária.
Dessa forma, o planejamento para a safra 2026/27 combina aumento da área cultivada, maior participação do algodão de segunda safra e expectativa de ganhos de produtividade.
Ainda assim, a evolução dos custos e as condições climáticas permanecem entre os principais fatores que podem alterar as projeções apresentadas pela companhia.





























