A Americanas (AMER3) encerrou sua recuperação judicial após a Justiça aprovar o fim do processo, iniciado em janeiro de 2023, depois da descoberta de inconsistências contábeis que desencadearam uma crise financeira na varejista. A companhia agora concentra esforços na estabilização do caixa, na reorganização das lojas e na transformação de seu modelo de negócios.
A crise começou em 19 de janeiro de 2023, poucas semanas depois de a empresa revelar um rombo contábil de R$ 20 bilhões. Na época, o valor correspondia ao dobro do valor de mercado da varejista. Com o avanço das apurações, as dívidas chegaram a R$ 40 bilhões, levando a companhia a recorrer à Justiça para negociar suas obrigações com os credores.
Em comunicado, a Americanas classificou o encerramento da recuperação judicial como um marco em sua trajetória e o início de uma nova etapa de negócios. A empresa também agradeceu aos funcionários, fornecedores, clientes e demais parceiros pelo apoio durante o processo.
Americanas reduziu operações e mudou o modelo de negócios
Durante a reestruturação, a varejista reduziu suas operações, fechou lojas e demitiu funcionários. A companhia também alterou a distribuição de suas atividades entre o comércio eletrônico e as unidades físicas.
Para o diretor financeiro (CFO, na sigla em inglês) da Americanas, Sebastien Durchon, a recuperação judicial já deixou de ocupar espaço relevante na rotina da empresa.
“Para nós, a recuperação judicial, eu diria, já é página virada”, afirmou o executivo.
Segundo ele, o processo praticamente não interfere no dia a dia da companhia.
Apesar do encerramento dessa etapa, os resultados financeiros ainda mostram desafios. No segundo trimestre de 2026, a Americanas registrou prejuízo líquido de R$ 274 milhões, alta de 179,6% em relação ao período de comparação informado pela companhia.
A transformação operacional também envolve mudanças na forma de vender produtos. A empresa busca reduzir a dependência dos modelos conhecidos como 1P e 3P. No primeiro, o varejista compra e mantém o estoque próprio. No segundo, oferece uma plataforma para que outros vendedores comercializem seus produtos, como ocorre nos marketplaces.
Em paralelo, a Americanas aposta em parcerias comerciais, incluindo a firmada com o Magazine Luiza, e na integração entre as lojas físicas e os canais digitais.
Lojas físicas concentram a estratégia da Americanas
A mudança de perfil da companhia fica evidente na comparação entre 2022 e o cenário atual. Segundo o presidente-executivo (CEO, na sigla em inglês), Fernando Soares, naquele ano o comércio eletrônico representava 54% das operações da Americanas, enquanto as lojas físicas respondiam pelo restante.
Agora, de acordo com o executivo, 96% da companhia está concentrada nas lojas físicas. A estratégia, portanto, passou a valorizar o modelo online to offline, que conecta a experiência digital à estrutura presencial.
Nesse formato, as lojas podem funcionar como pontos de apoio para as vendas digitais, além de atender diretamente os consumidores. A empresa pretende aproveitar essa estrutura para aproximar os diferentes canais de venda.
A reorganização das unidades existentes também faz parte desse processo. A Americanas vem reduzindo o tamanho de algumas lojas e convertendo estabelecimentos de dois andares em operações concentradas em um único piso.
Segundo Soares, a companhia ainda tem ajustes a realizar em suas unidades antes de ampliar de forma mais consistente a rede física.
O que esperar da Americanas após a recuperação judicial
A administração considera 2026 um ano de estabilização do caixa e consolidação das mudanças operacionais. A expectativa é avançar em novas iniciativas à medida que os indicadores da companhia apresentem melhora.
Entre as frentes previstas estão o uso de inteligência artificial, a análise de dados e o desenvolvimento de novos formatos de lojas. A empresa, contudo, mantém uma postura seletiva em relação à expansão.
Soares afirmou que a Americanas inaugurou cinco ou seis lojas em 2026, além de reinaugurar unidades. O executivo explicou que a abertura de estabelecimentos ainda não ocupa posição central no planejamento porque a companhia precisa concluir ajustes nas operações atuais.
A prioridade, portanto, é melhorar o funcionamento das lojas existentes antes de acelerar a expansão. A estratégia combina revisão da estrutura física, integração dos canais de venda e busca por maior eficiência operacional.
O fim da recuperação judicial marca uma nova fase para a Americanas, mas não elimina os desafios financeiros e operacionais acumulados desde 2023. A capacidade de estabilizar o caixa e executar as mudanças previstas será determinante para os próximos passos da varejista.





























