O Brasil detém cerca de 15% das reservas mundiais de terras raras e permanece na segunda posição global, atrás da China. A nova estimativa considera dados atualizados da Agência Nacional de Mineração (ANM), que revisou os números nacionais e ajustou o volume global desses minerais estratégicos.
As terras raras formam um grupo de elementos químicos essenciais para tecnologias avançadas e para a transição energética. Elas estão presentes, por exemplo, em carros elétricos, turbinas eólicas e equipamentos eletrônicos. Por isso, ganharam relevância econômica e geopolítica nos últimos anos.
Revisão reduz números, mas mantém posição
Segundo o Mineral Commodity Summaries, do U.S. Geological Survey (USGS), as reservas globais caíram de 110 milhões de toneladas em 2023 para 85 milhões em 2025.
Antes da revisão, o Brasil aparecia com 21 milhões de toneladas, o equivalente a 25% do total. No entanto, a ANM recalculou esse volume e passou a considerar 11,4 milhões de toneladas. A agência adotou critérios mais rigorosos, alinhados a padrões internacionais de classificação mineral.
Com isso, o total global também mudou e passou para cerca de 75 milhões de toneladas. Ainda assim, o Brasil preserva a segunda posição, agora com cerca de 15% das reservas.
Enquanto isso, a China mantém a liderança isolada, com mais da metade do total mundial. Em seguida, aparecem países como Austrália, Rússia e Vietnã.
Potencial cresce com novas áreas em estudo
Apesar da redução, especialistas apontam espaço para crescimento. Isso ocorre porque o Brasil ainda não inclui oficialmente depósitos em argilas de adsorção iônica.
Nos últimos anos, empresas intensificaram a pesquisa dessas áreas. De acordo com levantamentos recentes, esses depósitos podem acrescentar cerca de 2 milhões de toneladas às reservas nacionais.
Além disso, esse tipo de jazida apresenta vantagens. Ele exige menor investimento, reduz custos operacionais e contém menos elementos radioativos. Ao mesmo tempo, concentra metais mais valiosos.
Investimentos avançam, mas produção ainda é baixa
Nos últimos anos, o interesse pelo setor aumentou. Os investimentos em pesquisa mineral cresceram de R$ 2 milhões em 2021 para R$ 90 milhões em 2024, segundo a ANM.
No cenário global, os aportes chegaram a cerca de US$ 150 milhões. A Austrália lidera esse movimento. O Brasil, por sua vez, aparece entre os principais destinos de investimento.
Apesar disso, a produção nacional segue limitada. Em 2025, o país respondeu por cerca de 0,5% da produção mundial de terras raras e ocupou a nona posição.
Nesse contexto, um avanço relevante ocorreu em Goiás. A Mineração Serra Verde iniciou operações e passou a produzir a partir de argilas iônicas. A empresa utiliza um processo químico para gerar um concentrado exportado para refino no exterior.
China domina refino e concentra valor
Embora a extração avance, a etapa industrial permanece concentrada. A China controla entre 85% e 90% da capacidade global de refino.
Esse domínio cria uma dependência estrutural. Países como o Brasil exportam matéria-prima e importam produtos de maior valor agregado.
O mercado global reflete essa concentração. A etapa de extração movimenta cerca de US$ 3 bilhões. Já o processamento intermediário chega a US$ 5 bilhões. Por fim, os produtos industriais atingem aproximadamente US$ 40 bilhões.
Nesse cenário, os ímãs permanentes — usados em motores elétricos — concentram cerca de metade do valor total.
Desafio é avançar na industrialização
O principal desafio do Brasil está além da extração. O país precisa avançar nas etapas industriais para capturar mais valor.
A expectativa indica crescimento até 2030. Projetos em andamento podem elevar a produção para até 50 mil toneladas. Isso representaria cerca de 10% da produção global atual.
Para atingir esse objetivo, o país precisa ampliar investimentos e desenvolver tecnologia. Ademais, políticas públicas devem integrar esse esforço. Iniciativas recentes incluem financiamentos do BNDES e da Finep.
Pressão global exige estratégia
A disputa internacional por terras raras se intensificou. A transição energética e a corrida tecnológica aceleram esse processo.
Diante disso, países buscam reduzir dependência externa. Ao mesmo tempo, tentam garantir acesso a esses minerais estratégicos.
O Brasil reúne condições favoráveis. O país possui matriz energética renovável, base mineral relevante e capacidade de expansão. No entanto, precisa agir com coordenação e rapidez.
Sem uma estratégia clara, o potencial pode não se converter em desenvolvimento econômico.



























