O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) recuou 0,6% em junho, na comparação com maio, segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta segunda-feira (17). O indicador, considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), acumulou alta de 1,5% em 12 meses.
No trimestre encerrado em junho, o IBC-Br avançou 0,2% em relação aos três meses terminados em março. O resultado reforçou entre analistas a avaliação de que a economia brasileira perdeu ritmo no segundo trimestre de 2026, embora os dados ainda não apontem para uma contração da atividade.
Em maio, o indicador havia registrado crescimento de 0,1% na comparação mensal. Naquele momento, o avanço acumulado em 12 meses era de 1,4%.
Indústria e serviços pressionam atividade
A queda do IBC-Br em junho foi acompanhada por retrações em setores relevantes da economia. Segundo os dados apresentados, a indústria recuou 1,4% no período, enquanto os serviços tiveram queda de 0,5%.
Os impostos registraram redução de 1%. A agropecuária, por outro lado, avançou 1% e ajudou a limitar uma queda maior do indicador.
O IBC-Br reúne informações sobre diferentes segmentos da economia e busca antecipar a tendência apresentada posteriormente pelo PIB. Por isso, o resultado mensal é acompanhado pelo mercado, embora não substitua o cálculo oficial do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A comparação trimestral também ajuda a identificar mudanças no ritmo da atividade. Nesse caso, o avanço de 0,2% entre os trimestres terminados em março e junho aponta para um crescimento mais moderado.
XP prevê alta de 0,46% no segundo trimestre
A leitura do resultado varia entre as instituições financeiras. Para a XP, os números indicam uma desaceleração gradual da economia ao longo de 2026.
A instituição estima crescimento de 0,46% do PIB no segundo trimestre. Para o conjunto do ano, a projeção permanece em 2%.
Na avaliação da XP, alguns fatores continuam sustentando a demanda. Entre eles estão a renda real, o mercado de trabalho e as transferências fiscais. Ao mesmo tempo, as condições financeiras mais restritivas devem exercer pressão crescente sobre a atividade.
Outro ponto destacado é o elevado custo do serviço da dívida das famílias. Com maior comprometimento da renda com empréstimos e financiamentos, o espaço para novos gastos tende a diminuir.
ASA vê riscos para o crescimento de 2026
O ASA também projeta expansão de 0,5% do PIB no segundo trimestre. A instituição, contudo, demonstra maior cautela em relação ao desempenho da economia no restante do ano.
Segundo o economista Leonardo Costa, a perda de força dos serviços e a contração da indústria reforçam o cenário de desaceleração. O desempenho desses setores é relevante porque ambos têm peso significativo na atividade econômica.
O ASA também chama atenção para sinais de deterioração do crédito e para o aumento da inadimplência. Esses fatores podem reduzir o consumo e dificultar a recuperação da atividade.
A instituição mantém, por enquanto, uma previsão de crescimento de 2% para o PIB em 2026. Entretanto, avalia que os riscos para essa estimativa estão concentrados para baixo.
Inter reduz previsão para o PIB
Entre as três instituições citadas, o Inter apresenta a projeção mais baixa para o crescimento da economia em 2026.
O banco estima expansão de 0,5% do PIB no segundo trimestre, mas reduziu de 2% para 1,8% a previsão de crescimento anual.
Para o economista sênior André Valério, o resultado do IBC-Br mostra uma economia cada vez mais dependente do setor externo, principalmente dos desempenhos da agropecuária e do petróleo.
O Inter também destacou o comportamento do varejo ampliado. O segmento recuou 0,95% no trimestre, segundo a avaliação apresentada pela instituição.
O varejo ampliado inclui, além das atividades tradicionais do comércio, segmentos como veículos, materiais de construção e outros setores que não integram o varejo restrito. A retração é vista pelo banco como um sinal de que as condições financeiras mais apertadas já afetam a atividade.
O que o IBC-Br indica para a economia
O resultado de junho mostra uma combinação de fatores distintos. A agropecuária apresentou crescimento, enquanto indústria e serviços registraram retração. No trimestre, entretanto, a atividade ainda terminou com variação positiva de 0,2%.
As projeções das instituições financeiras apontam para uma mesma direção: crescimento econômico, mas em ritmo mais lento.
A diferença está na intensidade esperada dessa desaceleração. Enquanto XP e ASA mantêm uma estimativa de 2% para o crescimento do PIB em 2026, o Inter trabalha com uma previsão de 1,8%.
O comportamento do crédito, do mercado de trabalho, da renda das famílias e dos setores produtivos será determinante para os próximos resultados. O desempenho desses componentes também deverá influenciar as revisões das projeções para o PIB ao longo do ano.





























