O impulso fiscal da economia brasileira mais que dobrou no segundo trimestre de 2026, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (27) pela Fundação Getulio Vargas (FGV). O Monitor de Expansão Fiscal Ampliada (MEFA) mostra que a injeção de recursos na economia alcançou 4,52% do Produto Interno Bruto (PIB). No primeiro trimestre, o indicador havia registrado 2,19%. Para a FGV, esse avanço ajuda a sustentar a atividade econômica. Ao mesmo tempo, dificulta o controle da inflação e reduz o espaço para novos cortes na taxa básica de juros (Selic).
O economista Alexandre Manoel, da FGV, afirma que o resultado reflete uma aceleração da expansão fiscal por mecanismos que não aparecem integralmente no resultado primário, indicador usado para medir o equilíbrio entre receitas e despesas do governo, sem considerar os juros da dívida.
Despesas financeiras lideram a expansão
As despesas financeiras responderam pela maior parte do avanço registrado no segundo trimestre. Segundo o levantamento, elas corresponderam a 3,29% do PIB no período.
O restante do impulso fiscal, equivalente a 1,22% do PIB acumulado em 12 meses, veio dos chamados Restos a Pagar. Esse mecanismo reúne despesas já autorizadas pelo governo, mas cujo pagamento ocorre em exercícios posteriores.
Na avaliação de Alexandre Manoel, maio e junho concentraram um aumento expressivo dessas despesas. Com isso, o indicador encerrou o trimestre no maior nível da série recente.
MEFA amplia a análise das contas públicas
A FGV recomenda analisar o MEFA em conjunto com o resultado primário para compreender melhor os efeitos da política fiscal.
Enquanto o resultado primário indica a situação das contas públicas ao comparar receitas e despesas, o MEFA mede o volume de recursos que efetivamente chega à economia. Dessa forma, o indicador identifica impactos que não aparecem por completo na métrica tradicional das contas públicas.
Essa diferença fica evidente na comparação dos últimos anos.
Entre junho de 2022 e junho de 2026, o resultado primário acumulado em 12 meses passou de um superávit equivalente a 0,77% do PIB para um déficit estimado em 1,05% do PIB. A deterioração alcançou 1,82 ponto percentual.
Impulso fiscal cresce além do resultado primário
No mesmo período, o MEFA registrou um impulso fiscal de 6,70% do PIB. Em junho de 2022, esse percentual era de 1,43%. A diferença representa um avanço de 5,27 pontos percentuais.
Segundo a FGV, mais de quatro quintos desse resultado decorrem de operações que ficam fora do cálculo tradicional do resultado primário. Por isso, o monitor busca oferecer uma visão mais ampla da expansão fiscal.
Expansão favorece a economia, mas aumenta desafios para a Selic
O estudo aponta que o aumento do impulso fiscal fortalece a demanda na economia. Esse movimento ajuda a preservar o nível de atividade, favorece o mercado de trabalho e sustenta a renda das famílias.
Por outro lado, o crescimento da circulação de recursos tende a manter a demanda aquecida. Como consequência, a inflação pode perder velocidade na trajetória de queda.
Esse cenário reduz a margem para o Banco Central cortar a taxa Selic nos próximos meses. Além disso, uma política fiscal mais expansionista pode elevar a percepção de risco dos investidores e aumentar a pressão sobre a dívida pública.
Na avaliação da FGV, acompanhar o MEFA ao lado do resultado primário permite entender com maior precisão os efeitos das decisões fiscais sobre a economia e seus reflexos na inflação, nos juros e nas contas públicas.






























