A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta segunda-feira (6) a Operação Véu de Maia para desarticular um suposto esquema de lavagem de dinheiro em apostas ilegais. A investigação aponta que o grupo utilizava 87 empresas de fachada para ocultar a origem de recursos obtidos com plataformas clandestinas de apostas esportivas e de jogos online. Além disso, os suspeitos teriam enviado parte dos valores ao exterior por meio de criptomoedas.
Os policiais federais cumprem nove mandados de busca e apreensão, além de buscas pessoais, nas cidades de Goiânia e Aparecida de Goiânia (GO), São Paulo e Ribeirão Preto (SP), Porto Alegre e Canoas (RS). A Justiça autorizou as medidas durante a investigação.
Investigação começou após alerta do Ministério da Fazenda
A investigação teve início depois que a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), vinculada ao Ministério da Fazenda, identificou um conjunto de empresas suspeitas de atuar como “laranjas”. Na prática, essas empresas serviriam para esconder a origem do dinheiro e facilitar a movimentação financeira de operadores que exploravam apostas sem autorização.
Segundo a Polícia Federal, as informações reunidas pela secretaria permitiram identificar indícios da atuação do grupo e deram origem à operação desta segunda-feira.
Empresas de fachada e criptomoedas faziam parte do esquema
De acordo com os investigadores, as empresas movimentavam recursos de plataformas ilegais de apostas. Em seguida, parte desse dinheiro seguia para o exterior por meio de criptomoedas.
As criptomoedas são ativos digitais utilizados em transações eletrônicas. Embora tenham diversas aplicações legais, elas também podem dificultar o rastreamento de valores quando criminosos tentam ocultar a origem dos recursos.
Nome da operação faz referência à filosofia hindu
A Polícia Federal escolheu o nome “Véu de Maia” em referência ao conceito hindu conhecido como “Véu de Maya”. Na tradição filosófica védica, a expressão representa a ilusão que impede as pessoas de enxergar a verdadeira natureza da realidade.
Segundo a corporação, a referência simboliza o uso de empresas aparentemente legítimas para esconder atividades ilícitas.
Como funcionam as apostas de quota fixa
As apostas de quota fixa permitem que o apostador conheça a cotação, chamada de “odd”, antes de confirmar o palpite. Dessa forma, ele sabe antecipadamente quanto poderá receber caso acerte o resultado.
O governo federal regulamentou essa modalidade no Brasil. No entanto, apenas empresas autorizadas pelo Ministério da Fazenda podem oferecer esse tipo de serviço em todo o país.
Mercado ilegal provoca prejuízos bilionários
O combate às apostas ilegais ganhou força nos últimos meses. Em junho, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima, afirmou que cerca de 25,2 milhões de brasileiros utilizam plataformas clandestinas.
Segundo estimativas do governo federal, esse mercado provoca prejuízos de aproximadamente R$ 38,8 bilhões por ano. Desse total, cerca de 80% estão relacionados aos impactos na saúde da população.
Além disso, o governo estima que entre 41% e 51% das plataformas de apostas online em funcionamento no país operem de forma irregular.
Atualmente, 187 plataformas possuem autorização do Ministério da Fazenda para atuar em todo o território nacional. Ao mesmo tempo, alguns estados, como Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Maranhão e Paraíba, também concedem licenças para empresas operarem dentro de seus territórios.
Investigados poderão responder por vários crimes
A investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e organização criminosa. Além desses crimes, a Polícia Federal poderá identificar outros delitos durante o avanço das investigações.
As diligências continuam, e os materiais apreendidos deverão auxiliar na identificação de novos envolvidos e no rastreamento da movimentação financeira do grupo.






























