O IPCA-15 subiu 0,70% em setembro, após recuar 0,40% em agosto, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (25). Com isso, a inflação acumulada em 12 meses passou de 4,24% para 4,47%.
O resultado ficou acima da mediana das projeções do mercado, que apontava alta de 0,53% para o mês. Além disso, a variação veio acima de todas as estimativas compiladas pela Broadcast, que iam de 0,45% a 0,66%.
O IPCA-15 é considerado uma prévia da inflação oficial. Para isso, o indicador utiliza metodologia semelhante à do IPCA, mas considera os preços coletados entre o dia 16 do mês anterior e o dia 15 do mês de referência.
Energia elétrica impulsiona inflação em setembro
O grupo Habitação registrou alta de 2,07% em setembro, depois de cair 1,41% em agosto. Nesse grupo, o principal destaque foi a energia elétrica residencial, que avançou 7,42%, após recuar 6,25% no mês anterior.
A mudança ocorreu, principalmente, com o fim do efeito do Bônus de Itaipu, que havia contribuído para reduzir as contas de luz em agosto. Assim, a reversão desse efeito ajudou a elevar a inflação de setembro.
Mesmo com a aceleração, o acumulado do IPCA-15 em 12 meses ficou em 4,47%. Dessa forma, o índice permaneceu abaixo do limite superior de 4,5% estabelecido para a meta de inflação, considerando o centro de 3% e a margem de tolerância de 1,5 ponto percentual.
Passagens aéreas também pressionam o IPCA-15
O grupo Transportes registrou alta de 0,60% em setembro, após queda de 1% em agosto. Por sua vez, as passagens aéreas tiveram aumento de 9,82% e contribuíram para a aceleração do grupo.
Os combustíveis também apresentaram alta, de 0,22% no conjunto. Entre eles, o gás veicular subiu 1,56%, enquanto a gasolina avançou 0,30%.
Em sentido contrário, o diesel caiu 0,78% e o etanol recuou 0,22%. Ainda assim, a combinação dos preços de transporte resultou em alta do grupo no mês.
Alimentos voltam a subir
O grupo Alimentação e bebidas registrou alta de 0,40% em setembro, depois de recuar 0,57% em agosto. Dentro desse grupo, a alimentação no domicílio subiu 0,38%, revertendo parte da queda de 0,97% observada no mês anterior.
Entre os produtos que mais subiram, o tomate teve alta de 20,76%. Além dele, o arroz aumentou 2,39% e as carnes ficaram 1,30% mais caras.
O movimento representa uma mudança em relação ao comportamento observado em agosto. Naquele mês, a alimentação havia ajudado a conter a inflação, enquanto em setembro voltou a exercer pressão sobre o índice.
Despesas pessoais aceleram
O grupo Despesas pessoais apresentou alta de 0,96% em setembro, após avanço de 0,66% em agosto. Nesse segmento, o destaque foi o cigarro, cujo preço aumentou 14%.
Os demais grupos também tiveram comportamentos diferentes ao longo do mês. Enquanto Artigos de residência avançou 0,55%, Vestuário subiu 0,41%.
Ao mesmo tempo, Saúde e cuidados pessoais teve alta mais moderada, de 0,13%. Educação, por sua vez, variou 0,03%, enquanto Comunicação registrou alta de 0,54%.
IPCA-15: veja a variação por grupo
A tabela abaixo mostra a variação dos principais grupos que compõem o IPCA-15 em agosto e setembro de 2026:
| Grupo | Agosto/2026 | Setembro/2026 |
|---|---|---|
| Índice geral | -0,40% | 0,70% |
| Alimentação e bebidas | -0,57% | 0,40% |
| Habitação | -1,41% | 2,07% |
| Artigos de residência | 0,04% | 0,55% |
| Vestuário | -0,20% | 0,41% |
| Transportes | -1,00% | 0,60% |
| Saúde e cuidados pessoais | 0,40% | 0,13% |
| Despesas pessoais | 0,66% | 0,96% |
| Educação | 0,46% | 0,03% |
| Comunicação | -0,02% | 0,54% |
Em comparação com agosto, o resultado de setembro mostra uma reversão importante do comportamento do índice. A deflação de 0,40% observada no mês anterior deu lugar a uma alta de 0,70%.
A mudança foi influenciada principalmente por Habitação, especialmente pela energia elétrica. Além disso, Transportes e Alimentação e bebidas também passaram a registrar variações positivas.
Resultado supera expectativa do mercado
O avanço de 0,70% do IPCA-15 em setembro ficou acima da mediana de 0,53% projetada pelo mercado. Consequentemente, o resultado também superou o teto da faixa de estimativas reunidas pela Broadcast.
Em 12 meses, a inflação passou de 4,24% para 4,47%. Apesar da aceleração, o resultado ainda ficou abaixo do limite superior de 4,5% da meta de inflação.
O comportamento de setembro mostra, portanto, uma reversão em relação à deflação registrada em agosto. Nesse cenário, a energia elétrica teve papel importante na mudança, enquanto alimentos, transportes e despesas pessoais também contribuíram para a alta.





























