A safra de cana 2027/28 do Centro-Sul pode alcançar 662,1 milhões de toneladas, segundo estimativa da StoneX. O volume representa uma recuperação após a redução da projeção para o ciclo 2026/27. No entanto, a consultoria avalia que as condições climáticas devem limitar a colheita atual.
Chuvas reduzem colheita em 2026/27
A StoneX reduziu de 640,1 milhões para 635,3 milhões de toneladas a previsão para a safra 2026/27 no Centro-Sul. Segundo a consultoria, o corte está relacionado principalmente ao excesso de chuvas e aos efeitos associados ao fenômeno El Niño.
Com isso, a estimativa para o ciclo atual fica abaixo da projeção anterior. Para a próxima temporada, porém, a expectativa é de recuperação da produção, com potencial para atingir 662,1 milhões de toneladas.
A mudança na projeção ocorre em um cenário de maior atenção às condições climáticas. Além disso, o comportamento das chuvas pode influenciar tanto o volume de cana disponível quanto o ritmo de moagem pelas usinas.
Preços podem levar usinas a produzir mais açúcar
A StoneX também prevê aumento da produção de açúcar no Centro-Sul. Nesse cenário, a estimativa chega a 42,4 milhões de toneladas, alta de 11,6% em relação à temporada anterior.
A participação da cana destinada à fabricação de açúcar também deve crescer. De acordo com a consultoria, o chamado mix açucareiro pode alcançar 49,3%, avanço de 3,1 pontos porcentuais.
Dessa forma, uma parcela maior da matéria-prima deve ser direcionada à produção de açúcar. A decisão das usinas depende, entre outros fatores, da relação entre os preços do açúcar e do etanol.
Exportações de açúcar podem crescer
A maior produção também pode ampliar a disponibilidade de açúcar para o mercado externo. Por isso, a StoneX estima que as exportações brasileiras podem chegar a 33,8 milhões de toneladas.
O desempenho, contudo, dependerá das condições do mercado internacional. Ao mesmo tempo, a oferta brasileira continuará influenciada pelo volume de cana processado no Centro-Sul e pela estratégia adotada pelas usinas.
Etanol de milho sustenta crescimento do biocombustível
A produção de etanol também deve avançar nos próximos ciclos. Nesse caso, a estimativa da StoneX aponta para 40,5 bilhões de litros de etanol total, alta de 7,2%.
O principal destaque está no etanol produzido a partir do milho. Segundo a projeção, o volume pode alcançar 13,6 bilhões de litros, crescimento de 29,7%.
Ademais, a expansão deve continuar com a entrada de novas unidades produtoras e a ampliação de plantas existentes. Entre outubro de 2026 e março de 2028, estão previstas oito novas unidades e cinco projetos de expansão.
A capacidade de produção de etanol de milho também deve aumentar. Atualmente, a capacidade considerada pela StoneX é de 38,9 mil metros cúbicos por dia. Com as novas unidades e expansões, o volume pode chegar a 51,2 mil metros cúbicos diários.
Assim, enquanto a produção de cana enfrenta uma revisão para baixo no ciclo 2026/27, o cenário projetado para 2027/28 é de recuperação da matéria-prima. Ao mesmo tempo, o avanço do etanol de milho amplia a participação do cereal na produção brasileira de biocombustíveis.
A análise foi elaborada por Marcelo Di Bonifacio Filho e Letícia Corrêa, da StoneX.





























