A Embraer registrou um novo recorde em sua carteira de pedidos no segundo trimestre de 2026. O resultado impulsionou as ações da fabricante nesta segunda-feira (27) e reforçou a avaliação positiva de bancos e corretoras sobre as perspectivas da companhia. Por volta do início da tarde, os papéis da empresa avançavam 5,33%, cotados a R$ 86,90.
A fabricante divulgará os resultados financeiros completos do segundo trimestre em 10 de agosto, antes da abertura do mercado.
A expansão da carteira de pedidos — conhecida no setor como backlog, que representa o valor dos contratos assinados e ainda não entregues — foi apontada pelos analistas como um dos principais fatores para sustentar o crescimento das receitas nos próximos anos.
Carteira de pedidos reforça previsibilidade das receitas
Na avaliação da XP Investimentos, a Embraer manteve um ritmo consistente de crescimento do backlog, mesmo diante de um cenário marcado por tensões geopolíticas e volatilidade nos preços dos combustíveis.
Segundo a instituição, todas as divisões da companhia registraram índice book-to-bill superior a 1 nos últimos 12 meses. Esse indicador compara o volume de novos pedidos com o número de entregas realizadas. Quando permanece acima desse nível, significa que a empresa recebe mais encomendas do que entrega. Como consequência, sua carteira tende a crescer.
Além disso, a XP destacou que esse desempenho amplia a previsibilidade das receitas para os próximos anos. Por esse motivo, a corretora manteve a recomendação de compra para as ações da fabricante.
Divisão de Defesa lidera crescimento do backlog
O principal destaque ficou com a divisão de Defesa & Segurança. O segmento apresentou book-to-bill de 2,6 e elevou sua carteira de pedidos de US$ 4,4 bilhões para US$ 6,1 bilhões.
O avanço ocorreu após a encomenda de dez aeronaves C-390 pelos Emirados Árabes Unidos.
Com base nesse contrato e nas estimativas de receita da divisão, a XP calcula que cada aeronave tenha valor entre US$ 180 milhões e US$ 190 milhões.
Na visão dos analistas, esse resultado demonstra a crescente aceitação internacional do C-390. Ao mesmo tempo, reforça a competitividade da aeronave no mercado de transporte militar e indica potencial de rentabilidade para contratos semelhantes.
JPMorgan vê potencial adicional de valorização
O JPMorgan também avaliou os números de forma positiva. Segundo o banco, os dados operacionais indicam mais um trimestre forte e sustentam uma perspectiva de crescimento contínuo para a fabricante.
A instituição observou que a Embraer negocia atualmente acima de sua média histórica quando comparado o valor da empresa (Enterprise Value) com o backlog. Ainda assim, o múltiplo permanece próximo da média registrada nos últimos dois anos.
Já na comparação pelo indicador EV/Ebitda — utilizado para medir o valor da empresa em relação à sua geração operacional de caixa — a Embraer continua negociando abaixo de concorrentes como Boeing, Airbus e Bombardier.
Para o JPMorgan, essa diferença indica que ainda existe espaço para valorização das ações. Dessa forma, o banco reiterou a recomendação de compra e manteve o preço-alvo de R$ 98.
BTG destaca contratos ainda não incorporados
O BTG Pactual também reforçou a visão positiva para a fabricante. Segundo o banco, o crescimento do backlog fortalece a estratégia de expansão da divisão de Defesa, especialmente após o acordo firmado com os Emirados Árabes Unidos para aquisição das aeronaves C-390.
Por outro lado, os analistas chamaram atenção para um fator adicional. A carteira divulgada pela Embraer ainda não inclui mais de 50 aeronaves anunciadas durante o Farnborough Airshow, realizado na semana passada.
Caso esses contratos sejam incorporados nos próximos meses, o backlog poderá crescer novamente no terceiro trimestre. A expectativa é de que o avanço seja puxado principalmente pela aviação comercial.
Fluxo de notícias segue favorável
O BTG manteve recomendação de compra para as ações da Embraer e preço-alvo de R$ 126.
Na avaliação do banco, a companhia reúne fatores que continuam sustentando sua tese de investimento. Entre eles estão o fluxo positivo de novos contratos, o desempenho operacional, a evolução dos resultados financeiros e uma avaliação considerada atrativa em comparação com outras fabricantes globais.
Assim, a Embraer permanece entre as principais recomendações da instituição para o setor aeroespacial.





























