A WEG (WEGE3) informou que acompanha os efeitos das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, mas manteve a expectativa de crescimento para o restante de 2026. Os executivos apresentaram essa avaliação nesta quinta-feira (23), durante a teleconferência de resultados do segundo trimestre. Segundo a companhia, o novo cenário pode pressionar as margens de lucro. Ainda assim, a demanda internacional continua em ritmo positivo.
O governo do presidente Donald Trump começou a aplicar, na quarta-feira (22), tarifas de 25% sobre parte das exportações brasileiras. A medida alcança diferentes produtos enviados aos Estados Unidos. Por outro lado, o governo norte-americano excluiu itens considerados estratégicos para sua economia, como carne bovina, café e aeronaves.
De acordo com a administração da WEG, o principal desafio será adaptar a operação global para reduzir os efeitos das novas tarifas e das oscilações do câmbio. Ao mesmo tempo, a companhia destacou que as operações internacionais continuam crescendo quando analisadas em moedas locais.
WEG aposta na diversificação da produção para reduzir impactos
Durante a apresentação aos investidores, o diretor de Finanças e Relações com Investidores, André Salgueiro, comentou os efeitos do câmbio. Segundo ele, a valorização do real reduz o ritmo de crescimento da receita quando os resultados são convertidos para a moeda brasileira.
Apesar desse impacto contábil, Salgueiro afirmou que a demanda internacional permanece aquecida. Além disso, a empresa continua registrando boa entrada de pedidos. O movimento ocorre principalmente nos equipamentos industriais de ciclo longo — produtos que exigem mais tempo entre a fabricação e a entrega — e também nos negócios de transmissão e distribuição de energia.
Já o vice-presidente administrativo-financeiro, André Rodrigues, afirmou que as tarifas podem afetar a margem consolidada da companhia, indicador que mostra quanto da receita permanece como resultado operacional. No entanto, ele ressaltou que ainda é cedo para calcular os impactos de longo prazo.
Segundo o executivo, a empresa trabalha para reduzir esses efeitos por meio da diversificação de sua estrutura industrial. Com isso, a WEG redistribui parte da produção entre Brasil, México e Estados Unidos. Ademais, ajusta continuamente sua estratégia comercial conforme a evolução do cenário.
Hoje, o México responde por cerca de 41% dos equipamentos enviados ao mercado norte-americano. Ao mesmo tempo, aproximadamente um terço dos produtos vendidos nos Estados Unidos é fabricado no próprio país. Já as unidades brasileiras representam entre 20% e 21% do abastecimento desse mercado.
Companhia mantém plano de investimentos
Mesmo diante das incertezas no comércio internacional, a WEG manteve o plano de investimentos para 2026. A companhia prevê aplicar R$ 3,6 bilhões em ativos imobilizados, categoria que reúne fábricas, máquinas e equipamentos. Além disso, destinou R$ 22,4 milhões para ativos intangíveis, como softwares, patentes e direitos de propriedade intelectual.
Segundo a empresa, esses investimentos devem ampliar a capacidade produtiva e apoiar o crescimento das operações em diferentes mercados.
Lucro fica próximo das projeções do mercado
A WEG encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido de R$ 1,55 bilhão. O resultado representa queda de 2,1% em relação ao mesmo período do ano passado. Em comparação com o primeiro trimestre deste ano, porém, houve avanço de 7%.
O desempenho ficou próximo das estimativas do mercado financeiro. As projeções reunidas pela Bloomberg apontavam lucro de aproximadamente R$ 1,5 bilhão para o período.
O Ebitda, indicador que mede o desempenho operacional antes das despesas financeiras, impostos, depreciação e amortização, somou R$ 2,21 bilhões entre abril e junho. Na comparação anual, o indicador recuou 2,1%. Já em relação ao trimestre anterior, avançou 5,2%.
A margem Ebitda alcançou 21,8%, com redução de 0,3 ponto percentual em relação ao segundo trimestre de 2025.
Por sua vez, o retorno sobre o capital investido (ROIC), indicador que mede a capacidade da empresa de gerar retorno sobre os recursos aplicados no negócio, atingiu 33,6%. O índice avançou 0,7 ponto percentual na comparação anual.
A receita operacional líquida totalizou R$ 10,14 bilhões no trimestre. O valor ficou 0,6% abaixo do registrado um ano antes. Em contrapartida, cresceu 7,1% frente aos três primeiros meses de 2026.
Apesar das incertezas provocadas pelas mudanças no comércio internacional, a WEG avaliou que a demanda segue consistente. Ao mesmo tempo, a empresa mantém o plano de investimentos e aposta na diversificação da produção para preservar sua competitividade nos mercados em que atua.





























