O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) prevê temperaturas acima da média histórica em praticamente todo o Brasil entre julho e setembro de 2026. O cenário também indica distribuição irregular das chuvas, com menor volume nas regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e parte do Sudeste. Em contrapartida, a Região Sul deve registrar precipitações acima da média em grande parte dos estados.
As informações fazem parte do prognóstico agroclimático divulgado pelo Inmet. Segundo o instituto, as condições climáticas podem influenciar o planejamento agropecuário, o manejo das lavouras, a disponibilidade de água no solo e o desenvolvimento das principais culturas agrícolas.
Centro-Norte deve registrar menor volume de chuva
Nas regiões Norte e Nordeste, a previsão é de precipitações abaixo da média em grande parte do território. No Norte, a redução das chuvas será mais acentuada no sul da Amazônia, onde a diminuição da umidade do solo pode comprometer o desenvolvimento das culturas de sequeiro — aquelas cultivadas sem irrigação artificial.
Além disso, o cenário aumenta o risco de queimadas e pode dificultar a recuperação das pastagens. Ao mesmo tempo, o período mais seco tende a favorecer a colheita das culturas já estabelecidas e o preparo das áreas para a próxima safra.
Nordeste exige atenção à disponibilidade de água
No Nordeste, as temperaturas também devem permanecer acima da média histórica. Nesse contexto, a menor ocorrência de chuvas amplia a preocupação com a disponibilidade hídrica, principalmente no semiárido e nas áreas do SEALBA, região formada por Sergipe, Alagoas e o leste da Bahia.
Culturas em fases mais sensíveis poderão sofrer perdas caso a escassez de água persista. Por outro lado, nas áreas produtoras de algodão do MATOPIBA, que engloba partes de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, o clima seco favorece a maturação das plantas e a colheita.
Estiagem deve se intensificar no Centro-Oeste
No Centro-Oeste, a combinação entre estiagem e temperaturas acima da média deve intensificar o déficit hídrico, especialmente em Mato Grosso e Goiás. Déficit hídrico é a situação em que a água disponível no solo se torna insuficiente para atender às necessidades das plantas.
Com isso, pastagens e culturas conduzidas sem irrigação podem apresentar redução no desenvolvimento. Por sua vez, o tempo firme contribui para a conclusão da colheita e para o preparo do solo destinado ao próximo ciclo agrícola.
Sudeste terá umidade restrita em parte da região
No Sudeste, a previsão aponta chuvas próximas ou abaixo da média na maior parte dos estados, enquanto as temperaturas devem permanecer acima dos padrões climatológicos. Ainda assim, o extremo sul e o leste de São Paulo devem manter melhores níveis de umidade no solo, favorecendo as culturas de inverno.
Nas demais áreas, o acompanhamento das condições do solo será importante para orientar o manejo agrícola e reduzir possíveis impactos sobre a produção.
Sul reúne as condições mais favoráveis para as lavouras
A Região Sul apresenta um cenário distinto do restante do país. De acordo com o Inmet, a maior parte dos estados deve registrar volumes de chuva acima da média. Apenas áreas do extremo oeste do Rio Grande do Sul e do Paraná devem ter precipitações próximas da climatologia.
Dessa forma, a maior disponibilidade de água beneficia as culturas de inverno. Entretanto, produtores deverão redobrar a atenção ao aumento do risco de doenças causadas por fungos e às possíveis dificuldades para a realização de operações no campo durante os períodos mais chuvosos.
Planejamento regionalizado pode reduzir impactos
De forma geral, o boletim destaca que o trimestre exigirá planejamento regionalizado, acompanhamento constante das condições meteorológicas e manejo adequado da água no solo. Segundo o Inmet, essas estratégias podem contribuir para reduzir perdas e aproveitar as condições mais favoráveis em cada região produtora.
Ao longo do trimestre, o comportamento do clima deverá influenciar diretamente as decisões dos produtores rurais. Por isso, o monitoramento frequente das previsões meteorológicas tende a ser um dos principais instrumentos para orientar o planejamento das atividades agrícolas.





























