A influência do fenômeno climático La Niña tem provocado perdas significativas na safra de soja 2025/2026 no Sul do Brasil, com redução de até 50% na produtividade em áreas do Rio Grande do Sul. O cenário, marcado por chuvas irregulares e períodos prolongados de estiagem, afetou lavouras nos três estados da região — principalmente entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026, fase decisiva para o desenvolvimento dos grãos.
De acordo com dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a irregularidade das precipitações comprometeu o equilíbrio hídrico do solo — ou seja, a quantidade de água disponível para as plantas — e reduziu o potencial produtivo das culturas. O impacto foi mais intenso no território gaúcho, mas também atingiu Santa Catarina e Paraná em diferentes níveis.
Impacto da La Niña na safra de soja
O fenômeno La Niña, caracterizado pelo resfriamento das águas do Oceano Pacífico Equatorial, altera os padrões climáticos e costuma reduzir o volume de chuvas no Sul do Brasil. Esse comportamento climático foi determinante para o desempenho abaixo do esperado da safra atual.
No Rio Grande do Sul, a escassez de chuva coincidiu com o período de enchimento de grãos, etapa fundamental para a produtividade da soja. Mesmo com leve recuperação das precipitações em fevereiro, a distribuição irregular manteve o solo seco por longos intervalos. Como resultado, regiões do oeste e noroeste registraram perdas irreversíveis, agravadas pela baixa capacidade de retenção de água no solo.
Santa Catarina e Paraná enfrentam efeitos distintos
Em Santa Catarina, o quadro também foi desfavorável, sobretudo no extremo oeste. Os volumes de chuva ficaram abaixo de 150 milímetros em parte da safra, limitando o desenvolvimento das lavouras. Além disso, temperaturas superiores a 33 °C intensificaram a evapotranspiração — processo em que a água do solo e das plantas evapora para a atmosfera — reduzindo rapidamente a umidade disponível. Em áreas do centro-leste, pancadas isoladas amenizaram parcialmente os impactos.
Já no Paraná, o comportamento climático apresentou contrastes. Enquanto regiões do centro-sul e leste mantiveram níveis adequados de umidade no solo, acima de 70%, favorecendo a colheita, o oeste e o noroeste enfrentaram calor intenso e falta de chuva. Em municípios como Marechal Cândido Rondon, as temperaturas médias máximas ultrapassaram 34 °C, elevando o estresse térmico nas plantas e comprometendo o início das culturas de segunda safra.
Chuvas irregulares e efeitos localizados
Apesar do cenário predominante de seca, o monitoramento do Inmet registrou episódios pontuais de chuva mais intensa. Em Morretes (PR), por exemplo, o acumulado chegou a 457,4 milímetros em determinados períodos, devido a instabilidades locais. Esses eventos, no entanto, foram isolados e não suficientes para reverter o quadro geral de déficit hídrico na região.
Desafios para o produtor e próximos ciclos
Mesmo com a tendência de neutralidade climática no final do primeiro trimestre de 2026, os efeitos acumulados da estiagem devem impactar as próximas etapas do calendário agrícola. A redução da umidade do solo dificulta o plantio da safrinha e compromete a trafegabilidade — condição do solo que permite a circulação de máquinas agrícolas.
Diante desse cenário, especialistas indicam a necessidade de estratégias mais robustas de manejo, como conservação do solo e uso de seguro agrícola. Essas medidas ajudam a reduzir os riscos diante da crescente variabilidade climática, que tem se tornado um fator determinante para a produtividade no campo.




























