As vendas no varejo brasileiro caíram 1,5% em abril na comparação com março. O resultado representa a maior retração do setor desde junho de 2022. Os dados foram divulgados na terça-feira (16) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na comparação com abril de 2025, o varejo ainda acumulou crescimento de 1,0%.
O desempenho ficou abaixo das projeções do mercado financeiro. Analistas consultados pela Reuters estimavam queda de 0,6% na comparação mensal. Além disso, a expectativa era de alta anual de 1,95%.
A retração interrompe uma sequência de resultados positivos observada desde o início do ano.
Vendas no varejo perdem força após sequência de altas
Segundo o gerente da Pesquisa Mensal de Comércio do IBGE, Cristiano Santos, o recuo ocorre após um período de forte expansão das vendas.
Nos três primeiros meses de 2026, o comércio atingiu níveis recordes. Por isso, o setor passou a enfrentar uma base de comparação mais elevada. Em outras palavras, ficou mais difícil manter o mesmo ritmo de crescimento.
Esse fenômeno é conhecido como efeito de base. Ele acontece quando um indicador já alcançou um patamar elevado e tende a apresentar variações menores nos meses seguintes.
Ainda assim, alguns fatores continuam sustentando o consumo. Entre eles estão o mercado de trabalho aquecido e medidas de estímulo à economia.
Por outro lado, os juros elevados seguem limitando o avanço das vendas.
Atualmente, a taxa Selic está em 14,5% ao ano. Como consequência, o crédito fica mais caro para famílias e empresas. Dessa forma, o consumo tende a perder força, especialmente em compras financiadas.
Combustíveis puxam resultado negativo do comércio
Entre os oito segmentos pesquisados pelo IBGE, seis registraram queda em abril.
O maior recuo ocorreu em combustíveis e lubrificantes. O setor apresentou retração de 6,2%.
Também tiveram desempenho negativo:
- Outros artigos de uso pessoal e doméstico (-4,6%);
- Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-4,5%);
- Móveis e eletrodomésticos (-0,8%);
- Tecidos, vestuário e calçados (-0,1%);
- Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (-0,1%).
Em contrapartida, dois segmentos registraram crescimento.
O grupo de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo avançou 1,3%. Já o setor de livros, jornais, revistas e papelaria cresceu 1,1%.
Segundo o IBGE, o resultado reflete uma devolução parcial dos ganhos acumulados nos meses anteriores. Ademais, setores ligados ao consumo de bens não essenciais foram os mais afetados.
Consumo das famílias continua sustentando a economia
Apesar da queda registrada em abril, os indicadores de consumo seguem mostrando resistência.
Dados do Produto Interno Bruto (PIB) divulgados pelo IBGE apontam que o consumo das famílias cresceu 1,0% no primeiro trimestre de 2026. O resultado foi superior ao observado no trimestre anterior.
Assim, o consumo doméstico continua sendo um dos principais motores da economia brasileira.
No entanto, o cenário de juros elevados ainda preocupa analistas e empresários.
Agora, a atenção do mercado está voltada para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). A decisão sobre a taxa Selic será anunciada nesta quarta-feira (17).
Dependendo do resultado, o custo do crédito poderá mudar nos próximos meses. Consequentemente, o comportamento do varejo também poderá ser impactado.
Comércio ampliado também apresenta retração
O comércio varejista ampliado também registrou queda em abril.
Esse indicador inclui as vendas de veículos, motos, peças, material de construção e atacado especializado em alimentos, bebidas e fumo.
Nesse segmento, o volume de vendas recuou 0,7% em relação a março.
Portanto, os dados reforçam os sinais de desaceleração observados no início do segundo trimestre. Ainda que o consumo permaneça relativamente resiliente, o setor enfrenta os efeitos de uma política monetária mais restritiva.





























