As exportações da América Latina para a China registraram o maior crescimento entre os principais mercados internacionais no primeiro trimestre de 2026. Apesar do avanço das vendas ao país asiático, os Estados Unidos mantiveram a posição de principal destino dos produtos latino-americanos, segundo relatório divulgado na terça-feira (16) pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
De acordo com o levantamento, o valor exportado pela região para a China cresceu 25% entre janeiro e março na comparação com o mesmo período de 2025. As vendas para o restante da Ásia avançaram 24%, enquanto os embarques destinados à União Europeia aumentaram 19%. Já as exportações para os Estados Unidos registraram alta de 14%.
O estudo aponta que os Estados Unidos continuaram liderando como principal mercado para a América Latina e o Caribe devido, sobretudo, à forte integração comercial com o México e os países da América Central. Na América do Sul, por sua vez, a influência chinesa segue predominante em diversos setores exportadores.
Ainda segundo o BID, embora a China tenha apresentado o crescimento mais acelerado entre os parceiros comerciais da região, os Estados Unidos contribuíram mais para o aumento total das exportações latino-americanas em termos absolutos.
Comércio exterior da região acelera em 2026
No acumulado do primeiro trimestre, as exportações da América Latina e do Caribe cresceram quase 16% em relação ao mesmo período do ano anterior. O desempenho representa uma aceleração significativa frente à expansão de aproximadamente 8% registrada ao longo de 2025.
Além disso, o aumento do volume exportado e a valorização de importantes commodities produzidas na região impulsionaram esse resultado. Commodities são produtos básicos negociados internacionalmente, como petróleo, minério de ferro, soja e metais.
Entre os destaques, o ouro registrou valorização de 64% entre janeiro e abril. O metal costuma atrair investidores em períodos de incerteza econômica e geopolítica, funcionando como uma forma de proteção patrimonial.
Da mesma forma, outros produtos relevantes para as economias latino-americanas apresentaram alta de preços, incluindo cobre, petróleo, soja e minério de ferro. Em contrapartida, café e açúcar acumularam quedas superiores a 20% no período.
Importações crescem e reforçam presença dos EUA
O relatório também mostra que as exportações chinesas para a América Latina cresceram 29% no período analisado. Já as vendas dos Estados Unidos para a região avançaram 4%.
Apesar desse avanço chinês, a participação norte-americana nas importações latino-americanas atingiu quase 22%, o maior nível observado pelo BID. Enquanto isso, a fatia da China recuou levemente para 9,6%.
Com isso, os números indicam que, embora a presença chinesa continue avançando em diversos segmentos, os Estados Unidos preservam posição estratégica nas cadeias de fornecimento e no comércio regional.
Tensões geopolíticas ampliam desafios
O cenário internacional também influenciou os resultados econômicos da região. Nesse contexto, a escalada das tensões envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã elevou os preços dos combustíveis, aumentando os custos para países dependentes da importação de energia.
Além disso, o impacto não se limitou às nações importadoras de petróleo. Mesmo os países exportadores enfrentaram aumento das despesas com transporte de mercadorias e aquisição de fertilizantes, insumos essenciais para a produção agrícola.
Na avaliação do BID, o ambiente global permanece marcado por instabilidade comercial e riscos geopolíticos crescentes. Consequentemente, esse cenário amplia o nível de incerteza para governos, empresas e investidores.
A instituição ressalta que a combinação entre conflitos internacionais e mudanças nas políticas comerciais pode alterar fluxos de comércio e investimentos nos próximos meses.
Venezuela registra retração nas exportações
Por outro lado, entre os países analisados, a Venezuela apresentou desempenho negativo. As exportações venezuelanas recuaram 8,7% no primeiro trimestre de 2026 na comparação com igual período do ano anterior.
Mesmo com uma leve alta nas vendas destinadas aos Estados Unidos, as mudanças ocorridas no setor petrolífero reduziram o desempenho geral das exportações do país ao longo do período analisado.
Por fim, o BID avalia que o atual cenário internacional cria desafios importantes para a América Latina, mas também abre espaço para novas oportunidades comerciais. Segundo a instituição, a capacidade de adaptação dos países da região será decisiva para aproveitar a reorganização das cadeias globais de comércio e reduzir a exposição aos riscos externos.





























