Os desastres climáticos provocaram prejuízos de R$ 785,4 bilhões no Brasil entre janeiro de 2013 e dezembro de 2025. O valor considera os danos econômicos registrados em municípios de todas as regiões do país e evidencia o impacto crescente de fenômenos como seca, estiagem e chuvas intensas sobre a economia, a infraestrutura e a população.
Além disso, durante o período analisado, 95,1% dos municípios brasileiros foram afetados ao menos uma vez por algum tipo de desastre. Os dados mostram que a seca e a estiagem responderam pela maior parcela das perdas financeiras, acumulando R$ 458,3 bilhões, o equivalente a mais da metade dos prejuízos registrados no país.
Seca concentra maior volume de perdas
Nesse cenário, a Região Nordeste foi a mais atingida pelos impactos econômicos da seca e da estiagem, concentrando R$ 270,6 bilhões em prejuízos. O valor representa 48% do total nacional associado a esses eventos.
Na sequência aparecem a Região Sul, com 27,6% das perdas, seguida pelo Sudeste (16,8%), Centro-Oeste (6,6%) e Norte (1%).
Isso ocorre porque a predominância desses fenômenos está diretamente ligada à dependência de atividades como agricultura e pecuária em diversas áreas do país. Quando a falta de chuva se prolonga, a produção é comprometida, a disponibilidade de água diminui e diferentes cadeias produtivas sofrem impactos relevantes.
Decretos de emergência cresceram nos últimos anos
Entre 2013 e 2025, a seca e a estiagem motivaram aproximadamente 30 mil decretos de situação de emergência ou calamidade pública em municípios brasileiros.
Já os eventos relacionados ao excesso de chuvas somaram outros 22,8 mil registros no mesmo período. Juntas, as duas categorias responderam por cerca de 70% das 74.745 decretações contabilizadas no país.
Por sua vez, os demais eventos classificados como biológicos, climatológicos e tecnológicos totalizaram 21.867 registros, correspondendo a 29,3% do total.
Dessa forma, o número elevado de decretos demonstra a frequência e a intensidade cada vez maiores dos eventos extremos enfrentados pelas cidades brasileiras.
Chuvas intensas atingem principalmente Sul e Sudeste
Além dos períodos de seca, o excesso de chuva também teve papel relevante entre os desastres registrados nos últimos 13 anos.
As precipitações intensas estiveram associadas a inundações, alagamentos, enxurradas, tempestades e deslizamentos de terra. Esses fenômenos costumam provocar danos à infraestrutura urbana, interrupção de serviços essenciais e riscos à população.
Entre os estados mais afetados, Santa Catarina liderou o número de registros relacionados a esses eventos, respondendo por 21,4% das ocorrências nacionais. Em seguida aparecem o Rio Grande do Sul, com 15,9%, e Minas Gerais, com 13,1%.
Ao mesmo tempo, os dados refletem a vulnerabilidade de áreas urbanas e regiões com histórico de ocupação em encostas, margens de rios e locais sujeitos a alagamentos.
Desastres deixaram mais de 3,2 mil mortos
Os impactos dos desastres climáticos também foram sentidos diretamente pela população. Entre janeiro de 2013 e dezembro de 2025, os eventos registrados no país provocaram 3.221 mortes.
Entre os anos analisados, 2022 apresentou o maior número de vítimas, com 607 óbitos, o equivalente a 18,8% do total contabilizado no período. Em seguida aparecem 2013, com 414 mortes, 2019, com 368, e 2024, com 311 vítimas.
Assim, os números reforçam que os efeitos dos eventos extremos vão além dos prejuízos econômicos, atingindo diretamente a segurança, a moradia e a qualidade de vida da população.
Milhões de pessoas precisaram deixar suas casas
Os desastres também provocaram deslocamentos em larga escala pelo país. Somadas as diferentes categorias relacionadas a desalojamento e desabrigo, cerca de 6,4 milhões de pessoas precisaram abandonar temporária ou permanentemente suas residências.
Nesse contexto, a Região Norte concentrou o maior número de desabrigados e desalojados, com 369.882 registros, o equivalente a 33,85% do total nacional.
Em seguida, o Nordeste aparece com 32,42% dos casos, seguido pelo Sul, com 22,62%. Já o Sudeste respondeu por 10,10% dos registros, enquanto o Centro-Oeste concentrou aproximadamente 1%.
Por fim, especialistas apontam que o fortalecimento das políticas de prevenção, adaptação climática e planejamento urbano será fundamental para reduzir os impactos humanos e econômicos dos eventos extremos nos próximos anos.





























