O Tesouro IPCA+ voltou a oferecer remuneração real superior a 8% ao ano nos vencimentos mais curtos. Esse patamar foi registrado poucas vezes desde a criação dessa modalidade de título público. Na prática, isso significa que o investidor garante um rendimento acima da inflação durante todo o período da aplicação, desde que mantenha o investimento até o vencimento.
De acordo com um estudo da XP, taxas nesse nível apareceram em menos de 10% da série histórica dos títulos indexados ao IPCA. Por isso, a instituição considera o cenário atual uma oportunidade pouco comum. O objetivo é permitir que o investidor preserve o poder de compra do patrimônio e ainda obtenha ganho real no longo prazo.
Apesar de o IPCA de maio ter ficado acima das expectativas do mercado, os títulos apresentaram uma leve acomodação nos últimos dias. O movimento foi influenciado pelo maior otimismo dos investidores em relação ao cenário internacional. Mesmo assim, o Tesouro IPCA+ com vencimento em 2032 continuou oferecendo remuneração próxima de 8% ao ano acima da inflação.
Simulação mostra potencial de crescimento do investimento
Uma simulação realizada com base nas taxas de fechamento de 12 de junho de 2026 e considerando inflação anual de 5% demonstra o efeito dos juros compostos ao longo do tempo.
Nesse cenário, uma aplicação de R$ 1.000 no Tesouro IPCA+ 2032 alcançaria R$ 1.980,74 líquidos no vencimento. O título remunera o investidor com IPCA mais 8,06% ao ano. O cálculo já considera o desconto do Imposto de Renda de 15% e da taxa de custódia da B3.
O retorno líquido anual estimado é de aproximadamente 11,74%. Com esse rendimento, o valor investido praticamente dobra em pouco mais de seis anos.
Nos prazos mais longos, o efeito dos juros compostos torna-se ainda mais expressivo. No Tesouro IPCA+ 2040, que oferece IPCA mais 7,31% ao ano, os mesmos R$ 1.000 chegariam a R$ 4.651,48 líquidos no vencimento. O montante equivale a cerca de 4,6 vezes o capital inicial.
Já no Tesouro IPCA+ 2050, cuja taxa contratada é de IPCA mais 7,05% ao ano, o investimento alcançaria R$ 13.940,60 líquidos. O valor corresponde a aproximadamente 14 vezes o capital originalmente aplicado.
| Título | Vencimento | Taxa contratada | Valor líquido estimado para R$ 1.000 |
|---|---|---|---|
| Tesouro IPCA+ 2032 | 15/08/2032 | IPCA + 8,06% | R$ 1.980,74 |
| Tesouro IPCA+ 2040 | 15/08/2040 | IPCA + 7,31% | R$ 4.651,48 |
| Tesouro IPCA+ 2050 | 15/08/2050 | IPCA + 7,05% | R$ 13.940,60 |
Fonte: Simulador do Tesouro Direto. Considera aplicação em 12/06/2026, inflação estimada de 5% ao ano, Imposto de Renda de 15% e taxa de custódia da B3.
Resultados dependem da inflação futura
Os valores apresentados são nominais. Isso significa que eles não descontam a perda do poder de compra provocada pela inflação. Esses títulos pagam uma taxa fixa acrescida da variação do IPCA. Assim, uma inflação superior à estimada tende a elevar o valor nominal recebido pelo investidor.
Segundo projeções da XP, o IPCA pode encerrar 2026 em torno de 5,5%. Em um cenário de juros reais próximos de 7,5% ao ano, a instituição estima retorno acumulado de aproximadamente 120% até 2032. Para 2035, a projeção é de cerca de 210%.
Vale a pena aproveitar o momento?
Para analistas de mercado, o atual nível de remuneração cria uma relação considerada favorável entre risco e potencial de retorno. A avaliação vale principalmente para investidores com horizonte de longo prazo. Isso porque é possível garantir uma taxa real elevada e, ao mesmo tempo, obter ganhos adicionais caso os juros futuros recuem.
Esse ganho extra ocorre por meio da chamada marcação a mercado. Nesse mecanismo, o preço dos títulos oscila diariamente conforme as expectativas de juros da economia. Se as taxas caem, títulos comprados anteriormente com remuneração maior tendem a se valorizar. Por outro lado, uma alta dos juros pode provocar desvalorização temporária para quem decidir vender antes do vencimento.
Por essa razão, especialistas costumam recomendar a compra do Tesouro IPCA+ apenas para quem pretende permanecer com o investimento até a data final. Dessa forma, o investidor reduz o impacto das oscilações do mercado ao longo do caminho.
Na avaliação do gestor Ângelo Belitardo, da Hike Capital, ainda não existem fatores que indiquem uma queda consistente dessas remunerações no curto prazo. Segundo ele, a expectativa é que títulos como a NTN-B, nome técnico do Tesouro IPCA+, continuem oferecendo juros próximos de 8% ao ano até o fim de 2026. Esse cenário deve permanecer enquanto persistirem as incertezas relacionadas ao ambiente político e econômico.





























