A China reconheceu oficialmente o Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação. O anúncio foi confirmado nesta terça-feira (2) pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). A decisão ocorre cerca de um ano após a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) conceder o mesmo reconhecimento ao país.
O novo status sanitário fortalece a posição do agronegócio brasileiro no mercado internacional. Além disso, reforça a confiança das autoridades chinesas nos sistemas de controle e monitoramento da produção pecuária nacional.
Reconhecimento amplia confiança no sistema sanitário brasileiro
A febre aftosa é uma doença viral que afeta principalmente bovinos, suínos, ovinos e caprinos. Por causar prejuízos econômicos significativos, seu controle é um dos principais requisitos para o comércio internacional de produtos de origem animal.
O reconhecimento de país livre da doença sem vacinação indica que o Brasil mantém mecanismos eficazes de vigilância, prevenção e resposta sanitária. Dessa forma, o país consegue evitar a circulação do vírus mesmo sem campanhas regulares de imunização dos rebanhos.
Segundo o Ministério da Agricultura, a decisão chinesa resulta de negociações conduzidas ao longo dos últimos meses. Durante missão oficial realizada em maio deste ano, representantes brasileiros apresentaram informações detalhadas sobre o sistema nacional de defesa agropecuária.
Na ocasião, o governo também reforçou o pedido para que Pequim reconhecesse formalmente o novo status sanitário brasileiro.
Negociações podem beneficiar cadeias bovina e suína
O reconhecimento abre caminho para novas discussões comerciais entre os dois países. Conforme avalia o secretário de Defesa Agropecuária, Carlos Goulart, a medida pode facilitar negociações envolvendo produtos das cadeias bovina e suína.
Além do acesso a novos mercados, a decisão pode contribuir para ampliar a diversidade de produtos exportados pelo Brasil. Com isso, o setor ganha mais oportunidades para expandir negócios junto ao principal parceiro comercial do agronegócio nacional.
O ministro da Agricultura, André de Paula, afirmou que o tema esteve entre as prioridades da missão brasileira à China. Segundo ele, o reconhecimento representa um resultado relevante das tratativas realizadas com autoridades chinesas.
Histórico recente reforça aproximação entre Brasil e China
O anúncio ocorre poucos meses após outra decisão importante das autoridades chinesas. No início de 2026, a China reconheceu o Brasil como país de risco insignificante para a encefalopatia espongiforme bovina (EEB), doença popularmente conhecida como “mal da vaca louca”.
Esse reconhecimento fortaleceu a presença da carne bovina brasileira no mercado chinês. Ao mesmo tempo, aumentou a segurança jurídica e comercial para empresas exportadoras.
A cooperação entre os dois países também avançou em 2025. Durante visita oficial do governo brasileiro à China, as partes assinaram um memorando de entendimento voltado para medidas sanitárias e fitossanitárias.
O acordo prevê ações conjuntas relacionadas à saúde animal e vegetal. Ademais, busca ampliar o intercâmbio técnico entre os órgãos responsáveis pela fiscalização agropecuária dos dois países.
China segue como principal destino do agronegócio brasileiro
A China mantém posição estratégica para o setor agropecuário nacional. Em 2025, o país asiático respondeu por mais de US$ 50 bilhões em compras de produtos do agronegócio brasileiro.
Nesse cenário, o reconhecimento do Brasil como livre de febre aftosa sem vacinação tende a fortalecer ainda mais as relações comerciais bilaterais. Consequentemente, o setor ganha condições mais favoráveis para ampliar exportações e consolidar sua presença em um dos mercados mais importantes do mundo.





























