A proposta dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros preocupa a indústria nacional. Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a medida pode reduzir a competitividade das exportações brasileiras e gerar efeitos negativos para empresas dos dois países.
A iniciativa foi apresentada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês). Embora ainda esteja em discussão, a proposta já mobiliza representantes do setor produtivo brasileiro.
De acordo com a CNI, a relação econômica entre Brasil e Estados Unidos foi construída ao longo de décadas e envolve uma forte integração industrial. Por isso, mudanças tarifárias podem produzir impactos além do comércio direto entre os dois mercados.
O presidente da entidade, Ricardo Alban, defendeu o fortalecimento do diálogo entre os governos. Segundo ele, uma eventual elevação das tarifas prejudicaria tanto a indústria brasileira quanto empresas norte-americanas que dependem de produtos fabricados no Brasil.
Cadeias produtivas integradas estão entre as principais preocupações
Para a CNI, um dos principais problemas da proposta é a falta de distinção entre setores que mantêm relações produtivas complementares.
Em diversos segmentos, empresas brasileiras e norte-americanas participam de uma mesma cadeia de produção. Isso ocorre, por exemplo, nos setores de máquinas e equipamentos, agronegócio, motores industriais e madeira processada.
Nesse contexto, Alban afirma que muitos produtos não podem ser substituídos rapidamente. Dessa forma, a aplicação de uma tarifa adicional tende a elevar custos e reduzir a eficiência das operações em ambos os países.
Além disso, a entidade avalia que a medida pode afetar investimentos e comprometer a previsibilidade necessária para decisões empresariais de longo prazo.
Exportações brasileiras já apresentam retração
Dados divulgados pela CNI mostram que as exportações brasileiras de bens da indústria de transformação para os Estados Unidos somaram US$ 30,2 bilhões em 2025.
O resultado representa uma queda de 4,2% em relação ao ano anterior. Ao mesmo tempo, nove dos 15 principais setores exportadores registraram recuo nas vendas.
Os maiores impactos foram observados nos segmentos de produtos metálicos, madeira, celulose e papel. O setor automotivo também apresentou retração significativa.
Segundo a entidade, a eventual implementação da tarifa dos EUA sobre produtos brasileiros pode aprofundar esse movimento. Com isso, empresas exportadoras enfrentariam um cenário ainda mais desafiador.
Tensões comerciais ampliam incertezas
A discussão ocorre em um momento de aumento das tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos.
Desde 2025, o governo norte-americano ampliou investigações relacionadas a práticas comerciais brasileiras. Além disso, novas medidas tarifárias passaram a atingir determinados produtos importados.
Apesar desse cenário, Alban avalia que a discussão atual deve ser analisada principalmente sob uma perspectiva econômica. Para ele, compreender os efeitos sobre as cadeias produtivas é essencial para evitar distorções no comércio bilateral.
Por outro lado, a entidade reconhece que o ambiente internacional se tornou mais complexo. Dessa maneira, cresce a necessidade de estratégias voltadas à proteção da competitividade industrial.
CNI defende fortalecimento da defesa comercial
Diante desse contexto, a CNI defende o fortalecimento da política brasileira de defesa comercial.
Esse conjunto de mecanismos permite que os países adotem medidas para proteger setores estratégicos contra práticas consideradas desleais ou prejudiciais ao mercado interno.
Segundo a entidade, o Brasil precisa ampliar a cooperação entre governo e setor produtivo. O objetivo é identificar cadeias de valor estratégicas e criar condições para aumentar a competitividade da indústria nacional.
Além disso, a confederação destaca que economias como Estados Unidos, China, Japão e membros da União Europeia utilizam instrumentos semelhantes para proteger segmentos considerados relevantes.
Audiência pública abre espaço para negociação
Apesar das preocupações, a CNI acredita que ainda existe espaço para negociação.
No dia 6 de julho, o USTR realizará uma audiência pública para discutir a proposta. Na ocasião, governos, empresas e entidades poderão apresentar contribuições técnicas sobre o tema.
Por isso, a expectativa da indústria é que o Brasil utilize a oportunidade para demonstrar os impactos econômicos da medida. A intenção é contribuir para uma avaliação mais equilibrada por parte das autoridades norte-americanas.
Paralelamente, Alban defende o avanço de acordos comerciais e tributários com parceiros estratégicos. Entre eles estão México, Canadá, Japão e Reino Unido.
Por fim, a CNI informou que continuará acompanhando as discussões e participando das negociações. O objetivo é preservar a parceria econômica entre Brasil e Estados Unidos e reduzir possíveis impactos para o setor produtivo.





























